15.05.2014 – São Carlos – SP: Nostalgia…

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É interessante como a vida de uma pessoa pode mudar tanto, em um período de 10 anos, a ponto de nem parecer a mesma existência.

Essa semana, o destino me trouxe novamente a São Carlos – SP. Depois de anos sem vir para cá, a nostalgia foi inevitável assim que saí da rodovia Washington Luís, pegando a entrada para São Carlos. Fiz questão de pegar a entrada para a UFSCar (que pra variar está em greve de funcionários), e de dar uma passadinha para rever a universidade onde passei 5 anos de minha vida, antes de prosseguir para minhas obrigações.

Pois bem, o ano era 2004. Eu era um calouro do curso de Engenharia de Computação na UFSCar. Eu era pobre e sozinho. Não tinha carro, não tinha moto, não tinha casa, não tinha namorada, era tímido e tinha pouco dinheiro para ir às boas baladas. Posso dizer que, de certa forma, mantinha-me aqui graças à caridade do governo, pois todas as bolsas possíveis eu ganhara: o RU (Restaurante Universitário) de graça, o alojamento estudantil de graça, e a bolsa atividade (que ajudava com 110 reais por mês em troca de 8h de trabalho por semana). Tinha também o LIG (Laboratório de Informática da Graduação, ou algo do tipo), que não era uma bolsa mas era um lugar onde podia acessar a internet de graça, além do próprio DC (Departamento de Computação). Muito pouco do mundo eu havia conhecido até então. Basicamente, vivera os meus quase 18 anos na minha cidade natal (São João da Boa Vista – SP). Conhecera outros lugares, claro, mas poucos. E nunca sozinho. Agora eu passaria a viver sozinho (embora o alojamento fosse lotado de gente, ali cada um era responsável por si).

Além da bolsa atividade (que mais tarde foi substituida pela iniciação científica na Embrapa, aumentando a ajuda para 300 reais mas aumentando a carga horária e a responsabilidade também) e do curso de alemão, eu me ocupava com os numerosos trabalhos, provas, aulas e outras atividades típicas do cotidiano de um estudante. Não era fácil! Eram muitos problemas, reprovações, cursos de verão, aulas a noite de disciplinas em que fora reprovado, etc. Mas havia alguns escapes; as voltas ocasionais para São João da Boa Vista, as TUSCAS, as semanas do saco cheio, a Pizzaria Florença, o Palquinho, o Orkut, Mangás/Animes, War, joguinho no computador, etc.

Hoje eu observo como o estudante é realmente o último degrau da pirâmide social! E o bixo é o degrau mais baixo entre os estudantes! Até mesmo o estagiário é superior ao estudante. Aliás, tornar-se um estagiário é o objetivo da maioria dos estudantes.

E hoje que já passei por isso e estou do outro lado, posso ver as coisas de outra perspectiva. 10 anos depois, sou praticamente um outro ser humano. Pai de família, andando com meu próprio carro (embora velho) pelas ruas de São Carlos, de CREA no bolso, funcionário de multinacional alemã. Já conheci diversos países, em especial a Alemanha, onde morei um ano e fiz grandes amizades, dos mais diversos países, que perduram até hoje. Aprendi desses amigos coisas sobre as culturas de seus países, como a Colômbia (a qual cheguei a ponto de vestir a camisa da seleção e o sombrero vueltiao), a Alemanha, a Rússia e até mesmo a Macedônia (cujo vinho é comum na Alemanha e já foi por mim muito apreciado!) Já tive que conversar em diversos idiomas, mesmo sem conhecê-los em sua totalidade. Conheci boa parte do Brasil também. Já participei de diversos projetos. Adquiri bagagem profissional, já conheci os mais diversos tipos de indústrias, já conheci o ambiente de escritório também. Andar de avião tornou-se algo corriqueiro. Quando volto para casa, tenho uma família a minha espera, uma mulher e dois filhos. E hoje, em vez de sair de um alojamento para ir assistir mais uma aula, saí de um hotel para fazer uma certificação em Engenheiro e Instalador Profibus. Em vez de provas de graduação, estou fazendo provas para obter essa certificação. E, pensando na minha vida hoje e no passado, parece-me bruxaria a capacidade que eu tinha de sobreviver com 110 reais por mês, que na minha realidade atual seria algo completamente inconcebível.

E… por ironia do destino, o curso é no… CAASO (USP São Carlos)! Fosse a 10 anos atrás, minha obrigação como aluno da Federal seria adicionar um “Xupa” à frente do nome do referido Centro Acadêmico… Porém hoje, 10 anos depois, eu já não vivo mais essa rivalidade. Encaro ambas as instituições com respeito (embora lá no fundo o respeito seja ainda um pouquinho maior por aquela em que estudei!). Hoje a minha rivalidade é com fornecedores de equipamentos de automação concorrentes! Como o mundo gira e ninguém sabe o dia de amanhã vou me abster de citar nomes. Mas hoje “torço” para minha empresa e jogo por ela da mesma forma que antes “torcia” para a Federal contra o CAASO e jogava por ela na modalidade de Xadrez durante a TUSCA.

Muita coisa mudou por fora. Mas se alguém olhar a essência, verá que continua exatamente a mesma.

A velha briga entre TI e Automação

imageÉ sempre assim.

O objetivo de qualquer setor de TI é aumentar a segurança da rede, diminuindo ao máximo privilégios dos usuários, incluíndo firewalls os mais restritivos possíveis, colocando políticas e mais políticas de segurança no sistema operacional, exigindo senhas cada vez mais complexas, exigindo a instalação de antivírus, etc.

Ninguém poderia se opor com maior veemência a tais medidas do que o setor de automação. A automação necessita exatamente do contrário para que seus sistemas funcionem bem. Quanto menos segurança, quanto mais escancaradas forem as redes, quanto mais direitos tiver o usuário, melhor. Normalmente os sistemas e as redes utilizadas na automação não são tão sofisticados quanto os usados em TI, por isso têm dificuldades para funcionar com “obstáculos” como firewalls, antivírus, políticas, etc. os quais algumas vezes não suportam e, por isso, não conseguem funcionar em conjunto com eles. Mas uma vez implantados, dificilmente alguma empresa abre exceções e a automação acaba sendo obrigada a dar seus pulos. Os sistemas da automação normalmente necessitam de caminhos de rede livres, de sistemas operacionais sem restrições e com direitos de administrador, etc. Senhas são um pesadelo para um engenheiro de manutenção desesperado, sob pressão da produção porque alguma máquina parou de funcionar e ele precisa colocá-la em funcionamento imediatamente, mas o cara da manutenção que cuidava daquela máquina já foi mandado embora; ele até foi gente boa e deixou a senha anotada em algum lugar, mas já faz tanto tempo que, na hora do desespero, ninguém mais se lembra onde.

Por exemplo, o cara de TI adora fazer hardening de equipamentos e dispositivos de rede, desabilitando portas que não são utilizadas. Isso para o cara de automação é um sacrilégio; imagine um switch que está ali, e ele precisando acessar um PLC que está pendurado naquele switch (o qual não pode ser desconectado sob pena de parar a produção, o que é o pecado capital em se tratando de indústria), e o switch TEM PORTAS DESOCUPADAS; MAS O AMIGÃO DA TI FOI LÁ, E DESABILITOU AQUELAS PORTAS! Dá pra entender a revolta do cara de automação, né?

Mas, poderíamos pensar pelo outro ponto de vista. Os caras de automação adoram bypassar a segurança das redes. Imagine que a TI implementou uma proteção maravilhosa da rede industrial, com firewalls, VPNs, autenticação de usuários submetidos a políticas de segurança rigorosas, etc. Não passa nada naquela rede. Ai o cara de automação vai lá, com sua PG de manutenção completamente alheia às políticas de segurança e que não deixam a TI chegar nem perto dele, Windows sem antivírus e desatualizado (NOTEBOOK DE AUTOMAÇÃO JAMAIS TEM AS ATUALIZAÇÕES AUTOMÁTICAS HABILITADAS!!!), em que cada terceiro que vai fazer algum serviço coloca seu pendrive lá pra carregar/descarregar projetos, não raro liga uma internetezinha 3G desprotegida ali, bypassando então basicamente todas as contramedidas que a TI implementou, conectando-se direto na rede de chão de fábrica. Naturalmente os mais diversos vírus se proliferam, e ninguém consegue entender porque a rede de chão de fábrica vive lotada de vírus e coitado do infeliz que chega com seu pendrivezinho perto de uma porta USB dessa rede… e, no fim das contas, a TI ainda leva a culpa por tudo isso. Pois é, dá pra entender a revolta do cara de TI também…

Eh beleza! Quem nunca viu uma empresa assim, levante a mão!

Para quem nunca esteve em um chão de fábrica, acredite: você consome os mais diversos produtos fabricados nessas condições, desde cervejas até carros.

E quem está certo e quem está errado nessa história? Ninguém está errado. Trata-se de um trade-off, que cada empresa precisa pesar. Não se pode ter tudo. Tem-que se escolher; processo muito seguro fica atravancado, processo muito livre fica inseguro.

Agora você já sabe também porque o pessoal de automação e o pessoal de TI não se bicam.

A Arte da Transferência Síncrona

Imagine o seguinte: você têm n motores, e apenas um inversor para fazer a partida e parada controlada desses motores, um de cada vez. Quando um motor atinge 100%, você o “transfere do inversor para a rede (elétrica)”, liberando o inversor para a partida controlada do próximo motor. Dessa forma é possível partir todos os motores até o valor requisitado pelo processo, sem sobrecarregar a rede. Ou, na situação contrária, você “transfere da rede para o inversor”, quando quiser parar ou diminuir a potência de um motor que esteja na rede (na rede o motor está sempre a 100%).

Motores

A isso chama-se transferência síncrona. O primeiro caso (do inversor para a rede) é conhecido como transferência para cima, e o segundo caso é conhecido como transferência para baixo. O primeiro é bem mais comum de ser encontrado implementado do que o segundo, mas este também existe e funciona.

Trata-se de um procedimento arriscado. No momento da transferência para cima, por exemplo, as saídas do inversor e da rede (que podem ser de média tensão, por exemplo) ficam eletricamente conectadas. Se o inversor não estiver plenamente sincronizado em todas as grandezas elétricas relevantes nesse exato momento, como tensão, frequência, etc., em todas as fases, pode haver severos danos, como explosões do inversor, por exemplo, podendo levar operadores a uma situação de risco. Assim, o PLC deve ser muito bem programado e testado nesse tipo de aplicação, estando perfeitamente entrosado com este. Caso faça algo fora do esperado pelo inversor, o risco de danos é alto.

O inversor não controla os contatores/disjuntores que abrem e fecham os circuitos elétricos. Para isso, se dispõe normalmente de um PLC chamado PLC de sincronismo. Idealmente, esse PLC é dedicado apenas a esta tarefa, ficando separado do PLC de processo. Dessa forma, o PLC de sincronismo é escravo PLC de processo, que lhe fornece requisições para partir ou parar motores, com ou sem o inversor, ou fazer transferência para cima ou para baixo. E mestre do inversor, pois faz requisições a este para fazer transferência síncrona, por exemplo.

Para efetuar todas essas tarefas, basicamente o que o PLC de sincronismo faz é abrir e fechar contatores/disjuntores. O problema é: qual contator abrir, quando, em que situação? Uma abertura o contator de saída do drive indevidamente, por exemplo, quando este estiver em funcionamento provavelmente causaria sua explosão. E se o PLC de controle pedir para o PLC de sincronismo fazer uma partida com o inversor no motor 3, por exemplo, mas o inversor está alocado no momento para o motor 2? E como impedir a partida de um motor que já está partido?

Uma resposta é fazer todo esse controle através de máquinas de estado. Cada motor tem uma instância de máquina de estado, ou seja, a lógica da máquina de estado pode ser a mesma para todos os motores, porém cada motor está em um estado diferente a cada instante. Uma maneira inteligente de se implementar isso no Step 7 é através de “FB multiinstance”, ou seja, um único bloco FB contendo a lógica dessa máquina de estados, porém com um DB (Data Block) para cada motor contendo as variáveis que indicam em que estado o motor está no momento.

Ademais, deve ser feito o controle do inversor. O inversor não precisa saber qual motor está partindo ou fazendo transferência síncrona; ele precisa apenas saber que ele agora vai partir a X%, ou agora vai parar um motor, ou agora fará uma transferência síncrona. Esses comandos o PLC envia para o inversor, que responde com seus status atuais ou, no caso da transferência síncrona, com um protocolo mais elaborado, como exemplificado abaixo:

UpTransfer

 

DownTransfer

Roma X América

PRIMEIRA ETAPA

Roma estava sob a esfera de influência da Etrúria e era uma monarquia…

Tal como os EUA faziam parte do império britânico, que era uma monarquia.

SEGUNDA ETAPA

Os romanos se emanciparam: primeiro, desenvolveram um ódio da monarquia; esse ódio equivalente ao amor pelo conceito oposto, ou seja, a república. O amor pela república deu unidade aos romanos, e eles acabaram por se emancipar do etrúrios.

Os americanos também se emanciparam: primeiro, desenvolveram um ódio da monarquia, equivalente ao amor pela república. Também desenvolveram ódio pelo colonialismo, traduzido em amor pela auto-determinação; da aversão à aristocracia britânica, foram levados ao amor pela plutocracia, ou seja, a democracia. Sob esses ideais, os yankees obtiveram a unidade, e acabaram por se emancipar dos britânicos.

TERCEIRA ETAPA

Roma começou a se expandir pelo seu Lebensraum, ou seja, a península italiana, até dominá-la completamente, declarando seus ideais republicanos como válidos (em detrimento de todos os demais, inválidos), e justificando dessa forma implícita sua imposição a todos os que estivessem ao seu alcance. Expandiu-se também pelos arredores: a começar pelo mediterrâneo ocidental. Expulsou de sua área vital antigas potências, como os gregos.

Os EUA começaram a se expandir por seu Lebensraum, ou seja, o território americano continental e contínuo que há hoje, declarando seus ideais liberal-democráticos como válidos (consequentemente, os demais inválidos) e criando assim uma implícita justificativa para impô-los a todos que estivessem ao alcance deles. Expandiram-se também pelos arredores: a começar pelo mar do caribe. Expulsou de sua área vital antigas potências, como espanhóis e franceses.

QUARTA ETAPA

Roma lutou e venceu as guerras púnicas, tornando-se superpotência. Seu idioma passou a ser a língua franca do mundo, e sua cultura o modelo geral.

EUA lutou e venceu as guerras mundiais, tornando-se superpotência. Seu idioma passou a ser a língua franca do mundo, e sua cultura o modelo geral.

QUINTA ETAPA

Sem que se notasse, a república foi dando lugar ao império.

Sem que se notasse, a democracia foi dando lugar ao império.

SEXTA ETAPA

Declínio gradual em todos os sentidos: cultural, moral, político, econômico, militar.

Declínio gradual em todos os sentidos: cultural, moral, político, econômico, militar.
Segundo Spengler:

ETAPAS 1, 2 e 3: Primavera
ETAPA 4: Verão
ETAPA 5: Outono
ETAPA 6: Inverno

Os EUA estão vivendo claramente seu outono.

4. O Brasil

rio-de-janeiro-wallpaper--260x195Diante dos aparentemente insolúveis problemas internos da China, decorrentes principalmente de sua enorme população, o Brasil, com uma grande porém gerenciável população, auto-suficiente em quase tudo, ameaça tomar a cobiçada posição de maior potência mundial, sem disparar um tiro, sem construir uma bomba atômica, sem sequer se preocupar em manter um poderio militar convencional considerável. Continuar lendo

3. A América

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“Após a queda da URSS, a hegemonia americana no mundo tornou-se tão evidente que poucos ousavam antever seu declínio. No entanto, duas décadas após esse evento, até mesmo os cidadãos medianos nas ruas de todo mundo já percebiam que os EUA estavam em declínio, e eclipsados pela meteórica ascensão chinesa. Já não era mais moda usar roupas com bandeiras americanas; Hollywood, ainda a mais poderosa indústria cinematográfica, já não mais tinha o monopólio mundial, o mesmo ocorrendo com outras áreas de produção cultural.” Continuar lendo

2. A Arábia

old-baghdadHoje em dia os árabes costumam ser associados por muitos a fanáticos religiosos, homens-bomba, famílias reais tirânicas ultraconservadoras montadas no ouro negro, cujo povo padece da mais extrema pobreza, no clima árido do deserto, violento, atrasado e intolerante socialmente e infértil de inovações.

E, de fato, essa civilização encontra-se, lamentavelmente, em sua idade média. Continuar lendo