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Estréia da copa de 2014 em São Paulo e o estádio do Corinthians

Ontem, dia 20 de outubro de 2011, foi um dia a ser comemorado por São Paulo. A cidade foi finalmente confirmada pela FIFA como a sede do primeiro jogo da copa do mundo de 2014, que será um jogo da Seleção Brasileira. Enquanto isso, o debate acerca do estádio, cuja construção se encontra ainda a 15% da obra pronta, é mais fervoroso do que o debate acerca de questões realmente importantes, como as inúmeras reformas políticas pendentes, a demanda por melhores condições de trabalho, redução de impostos e sua cobrança de maneira menos burra e extorsiva, fim de privilégios absurdos como imunidade e presunção de inocência que gozam figuras públicas como políticos e magistrados (já que, em teoria, todos deveriam ser iguais perante a lei, independentemente de ocuparem cargos públicos, políticos, etc), etc.

Já que ninguém quer falar de coisas sérias, entro eu no calor da discussão do momento para desconstruir algumas opiniões imponderadas de pessoas que atacam o projeto do Itaquerão destrutivamente, sem apresentar alternativa melhor, ignorando os benefícios, enfim, discutem sem argumentos sérios, apenas criticam e esbravejam por questões de rivalidade, atacando assim a própria cidade. Críticas que tenho ouvido no dia-a-dia ou lido na internet, refletindo a opinião da grande massa. Não que não haja problemas, há sim, mas ninguém fala nada no sentido de resolvê-los. Apenas se vê críticas, nenhuma sugestão de melhoria. Algumas delas tem fundamento, outras são meras falácias e outras ainda não passam de rancor de torcida rival. No caso do Corinthians, em especial, todas as demais torcidas são rivais. Mas isso é outra história. O que pretendo analisar aqui, são algumas críticas a esse estádio muito populares, apesar de infundadas.

“O estádio está sendo construído com dinheiro público.” O dinheiro é público, mas não foi dado. Foi emprestado pelo BNDES. Serão cobrados juros, como qualquer financiamento. Se isso é errado, então é errado também fazer financiamento na Caixa para construir uma casa. Diga-me um clube brasileiro que tem dinheiro para fazer um estádio sem financiar, do zero, com recursos próprios, hoje em dia? E mesmo entre nós, pessoas físicas, quem temos dinheiro para fazer ou comprar uma casa, sem financiar um centavinho sequer? Se você for um dos poucos e privilegiados ricos o bastante para isso, pode até chamar o Corinthians de pobre, mas não de desonesto ou imoral. Caso contrário, se você pega dinheiro da Caixa pra comprar seu imóvel ou ainda está no aluguel, você está igual ou pior daquilo que critica, o que lhe retira toda legitimidade e credibilidade para fazê-la.

“Vai pagar nada! O Corinthians vai acabar dando balão nessa dívida ai, não conhece o Brasil como é?” Se não pagar, o clube vai ter que enfrentar as consequências de não pagar. E essas consequências podem ser desde ter que devolver o estádio ao banco até o fechamento, falência do Sport Club Corinthians Paulista. Pode ser que realmente não consiga pagar, mas não faça essa crítica a não ser que você, torcedor de outro time, já tenha seu imóvel próprio e quitado.

“E aquela isenção de impostos, o governo cobra impostos do povo sem dó, mas do Corinthians vai isentar, absurdo isso! Deixar de arrecadar é o mesmo que gastar!” Absurdo é pensar dessa forma, já que, se não houvesse a tal isenção, não haveria estádio. E se não houvesse estádio, não haveria impostos do mesmo jeito. A isenção não é perpétua e, uma hora começará a render preciosos recursos para a prefeitura e consequentemente para o povo, apesar da roubalheira. Ademais, muito será arrecadado por conta da copa, muito dinheiro de fora será gasto na cidade. Recursos esses que não seriam arrecadados, não fosse pelo estádio.

“O terreno foi dado de graça pela prefeitura para beneficiar o Corinthians!” Foi feita uma concessão, na época, em troca de o Corinthians construir ali um estádio, beneficiando a região. O estádio não foi construído no prazo determinado, porém foi feito um acordo na justiça (Termo de Ajustamento de Conduta) em que o Corinthians arcaria com benfeitorias na abandonada infra-estrutura da região – com recursos próprios – em troca de manter a concessão. Assim, esse atraso do Corinthians não foi “perdoado”; ele teve que pagar, como citado acima.

“Ainda assim, o Corinthians ganhou o terreno QUASE de graça”. Se você for são-paulino, procure se informar a respeito do terreno do Morumbi primeiro. Venha aqui, conte a história dele, e depois faça sua crítica.
Para facilitar a pesquisa, aponto alguns links:
http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2010/09/10/mp-investiga-possiveis-irregularidades-na-doacao-do-terreno-do-morumbi-ao-sp.jhtm
http://esportes.r7.com/futebol/times/sao-paulo/area-publica/noticias/associacao-de-moradores-acusa-o-sao-paulo-por-irregularidades-no-terreno-do-morumbi-20100910.html
http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/08/irregularidades-no-estdio-do-morumbi.html

Se não for são-paulino, e seu time comprou o terreno de seu estádio com recursos próprios, parabéns, mas antes de fazer a crítica pense ainda como um bom paulistano e ofereça uma alternativa melhor, legal e viável, para a prefeitura fazer com aquele terreno abandonado na zona leste. Aliás, não se restrinja a conjecturar; vá à câmara municipal, e ofereça essa sua alternativa, se aplicável, a outros terrenos como este, já que nesse terreno em particular a construção do estádio já é realidade, não dá mais para desfazer.

“Tem superfaturamento nas obras do Itaquerão!” É claro. Trata-se de uma obra feita no Brasil. Aponte-me uma, do mesmo porte, que não tenha um superfaturamentozinho sequer. Atual ou histórica.

“De qualquer forma, o Morumbi pelo menos já está pronto, por que não pode ser utilizado? Só porque é do São Paulo? Homofobia isso, hein!!!” O Panetone apresenta sérios problemas de infra-estrutura. Não pode chover que ele vira um piscinão. As reformas necessárias foram orçadas em 600 milhões. O São Paulo afirmou que não tinha condições de custear mais do que 1 terço.

“E por que a prefeitura não deu então incentivos fiscais para o São Paulo?” Parece birrinha, mas tem muito bambi infantil o suficiente para esse tipo de comportamento. O que acontece é o seguinte: o Panetone é um estádio que já está construido. Esse sim, se fossem dados incentivos fiscais (que, aliás, foram dados na época de sua construção) acarretariam uma perda de receita considerável para a prefeitura, e no curto prazo. Político nenhum daria um tiro no pé desses, nem mesmo um prefeito são-paulino fanático faria isso.

“E o BNDES, por que não emprestou para o São Paulo?” Banco, quando não empresta, é por um dos dois seguintes motivos: 1) o cliente não pediu, por que não quer, não pode ou por algum motivo qualquer; 2) o cliente pediu, mas o banco avaliou que o cliente não tem condições de pagar. Eu realmente não sei o que aconteceu, mas uma coisa é certa: o São Paulo, que adora posar de riquinho, não apresentou garantias financeiras de seu projeto. Se tivesse apresentado, certamente teriam escolhido o Pinicão do Jd. Leonor, em vez de um estádio que sequer fora construído. O Corinthians – sempre taxado de “favelado” – apresentou as garantias financeiras para garantir a abertura da copa. O pessoal da FIFA, de tonto só tem a cara. Óbvio que eles estudaram e pensaram muito bem – principalmente a questão financeira – para escolher a opção de menor risco, por que onde eles iriam enfiar a cara se não tivesse um estádio decente para a abertura da copa? É a própria imagem e reputação política deles que está em jogo. Não se arrisca poder político assim, a troco de nada, não nesse mundo que vivemos.

Eu pessoalmente vejo com bons olhos essa construção. Independentemente de ser corinthiano; vejo com bons olhos, apesar dos problemas e da roubalheira, creio que a construção dos estádios, não só do Corinthians mas todos os outros da copa, e também o fato de copa e olimpíada terem sido trazidos para cá, representam progresso, desenvolvimento, futura arrecadação de impostos, desenvolvimento do comércio local, empregos (tanto os da construção quanto os que ficarão no futuro, administração do estádio, segurança patrimonial, comércio ambulante nos dias de jogos e arredores do estádio, etc.).

Ademais, não é culpa da copa que saúde e educação e tudo o mais está caótico em nossa pátria querida. Ficamos mais de 60 anos sem copa, e mesmo assim saúde e educação só pioraram. Com ou sem copa, o abandono seria o mesmo. Aliás, os problemas brasileiros, como saúde, educação, infra-estrutura e outros não se resumem a falta de recursos. Recursos são, na verdade, o menor dos problemas. Tem o problema da desorganização inerente, da falta de senso de comunidade e excesso de individualismo brasileiro – coisa que sentimos até orgulho e nos gabamos de sermos mais “malandros” e “maliciosos” do que os outros, da burocracia excessiva, generalizada e paralizante, da ineficiência da máquina pública, do incentivo do próprio sistema político ao desprezo do planejamento de longo prazo em todas as esferas, da impunidade de alguns privilegiados (por que ladrão de galinha é preso com muita eficiência e tratado com o maior rigor da lei), leis ridículas que beneficiam o desonesto e punem o honesto, e uma série de outros nós nesse novelo embramado, nesse território bagunçado que alguns se arriscam a chamar de país.

Concluindo: antes de criticar o estádio do Corinthians:

- Faça uma auto-crítica;

- Faça uma crítica de seu clube e de seu governo;

- Pense um pouco antes de falar, para não dizer merdas argumentos infundados e falácias;

- Tenha uma sugestão ou ofereça uma alternativa melhor àquilo que critica.

21/10/2011 - Publicado por | Futebol

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