Pedido de adesão à ONU da Palestina: uma jogada política?
“O Brasil já reconhece o Estado Palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nessa Assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.” Dilma Rousseff.
Isso foi dito no discurso de abertura da última assembléia geral da ONU, no dia 21/09/2011. Parece não haver quem atualmente, com um mínimo de senso e imparcialidade, seja contrário à idéia do Estado Palestino. Ora, somente dois países se opuseram na assembléia: EUA e Israel. Se o porquê não lhe é óbvio, lamento meu amigo, mas você é um alienado. Sugiro que faça novamente o colegial, em especial geografia e história.
O triste é que os EUA podem, e já avisaram que irão vetar a iniciativa. Mas a idéia desse artigo não é lamentar, e sim analisar o que levou o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, a tomar a iniciativa de submeter o pedido de adesão à ONU, mesmo sabendo que não tinha nenhuma chance de ser aprovada.
Em primeiro lugar, a entidade política mais impactada por essa decisão de Abbas parece ter sido o Hammas. Ora, ao submeter o pedido e gerar todo o debate (mesmo que não tenha chance de ser aprovado), o Fatah ganha reconhecimento internacional como legítimo representante da ainda não nascida Palestina, em detrimento do Hammas.
Em segundo lugar, demonstra ao mundo que o Fatah é que está lutando pela causa palestina de maneira moderada, seguindo as regras do jogo diplomático ocidental. Ao ocupar essa posição, nega-a ao Hammas.
Assim, o Fatah já se prepara para garantir, na eventualidade da criação de um Estado Palestino, o governo desse. Foi, portanto, uma jogada de mestre, e me é difícil imaginar uma possível reação eficaz do Hammas, para evitar ou minimizar a catástrofe política. Parece simplesmente que essa decisão decretou o fim político do Hammas, atacando-o justamente onde era mais fraco: no reconhecimento internacional.
Por outro lado, a decisão tem também consequências importantes fora da Palestina. Ao buscar a independência de maneira moderada, como gostam os ocidentais, o Fatah garantiu apoio político e popular de quase todas as nações do mundo, exceto aquelas diretamente interessadas na manutenção do status quo ou agravamento das ocupações israelenses. Na verdade, a apenas um país interessa realmente que o pedido de adesão seja negado: a Israel. Para os legítimos interesses dos EUA e do povo norte-americano, não há qualquer motivo para vetar o pedido, pelo contrário, eles perdem politicamente, economicamente, diplomaticamente, comercialmente, sofrem danos seríssimos à reputação, enfim, Israel é um aliado que só dá despesas para o EUA e não o ajuda em nada. Mas, ainda assim, os EUA insistem em apoiar Israel, contrariando seus próprios interesses. Ainda está para nascer um presidente americano que tenha peito (não, não me refiro a uma presidente mulher heheh) para questionar essa relação com Israel, mas creio que vai demorar muito. Até lá, o governo americano vai continuar escolhendo ajudar Israel economicamente e militarmente, mesmo que para isso tenha que cortar gastos do governo com educação, saúde, infra-estrutura ou o que quer que seja. O porquê disso é uma longa história, e já digredi demais, portanto voltemos ao assunto.
Abbas, ao submeter o pedido, trouxe à tona a questão do Estado Palestino, porém agora com a ótica de que muitos países já reconheceram tal estado, e a grande maioria deles os apóiam. E, mesmo que EUA e Israel consigam facilmente vetar a iniciativa, terão um custo em reputação a pagar. Ja não mais falam pelo mundo; nadam agora contra a corrente, e quanto mais insistem, apenas aumentam o dano político que sofrem. O apoio internacional à Palestina aumentará ainda mais, particularmente na Europa, onde alguns países – inclusive no próprio conselho de segurança – anteriormente simpáticos a Israel, podem passar a reconhecer o Estado Palestino a apoiá-los na ONU.
Essas são as consequências desse pedido que já nasceu morto. E devo parabenizar o Fatah pela visão estratégica que demonstrou. Atuou com muita inteligência. Um ataque político desses causa danos muito piores aos inimigos do que mil homens-bomba ou oitenta Osamas Bin-Ladens, com a vantagem de trazer vantagens reais para ajudar na luta por sua causa. O mundo de hoje já não vê com romantismo a luta por uma causa ou a simples resistência através da violência e da força. Atualmente, mais sucesso tem tido quem luta através das palavras e fazendo-se de bom moço e coitadinho.
Como já preconizava nosso saudoso Darwin, sobrevive quem está adaptado às condições atuais. E o Fatah mostrou exatamente isso, em relação ao Hammas.

Gostei muito de sua visão sobre o assunto, parabenizo-o e afirmo que também tenho a mesma posição neste assunto, acredito que só com a possibilidade dao reconhecimento do estado palestino pode haver a paz tão esperada na região só que mesmo assim não será facil chegar até isso pois existem muitos contaditórios.