Nihil obstat

Germania, Corinthians, et cetera

25.05.09 – Musik

Eu hoje me considero uma pessoa razoavelmente eclética. Mas nem sempre foi assim. As idéias e gostos se modificam no decorrer da vida. Conforme você vai conhecendo pessoas novas, vai recebendo novas influências.

Assim foi que, a primeira banda que ouvi e gostei foi o Guns ‘n Roses. Ainda não tinha nem 10 anos de idade, quando meus irmãos ouviam Knocking on Heavens’ Door, Don’t Cry, Sweet Child o’ Mine, etc. E essas são músicas que estiveram sempre presentes desde então, e ainda hoje aprecio ouvi-las.

Também por influência familiar, comecei a apreciar o punk rock com Ramones. E por influência dos vizinhos, o grunge de Nirvana. Também eram muito famosos Red Hot Chili Peppers, Green Day, e outras bandas. Gostava desse tipo de música, e desprezava veementemente pagode e música sertaneja. Algumas influências familiares e de vizinhos, às vezes, causam o efeito contrário. Tanto que jamais consegui gostar de funk, nem do pagode, nem da música sertaneja. Pelo contrário, aprofundei meu desgosto por essas músicas.

Mas ou menos nessa época da minha adolescência, estava estourando Mamonas Assassinas, a primeira banda brasileira que me despertou interesse. A eles, seguiram-se Raimundos e, em menor grau, Skank, bandas que eu assisti ao vivo na Eapic. Havia também me acostumado a Legião Urbana e Raul Seixas mas não os apreciava. É que meus irmãos ouviam muito essas músicas, e eu aprendi as letras e o estilo de uma considerável parte da discografia destes. A influência surtiu efeito tardio mas forte, e hoje são músicas que aprecio.

Com os amigos enxadristas, ampliei consideravelmente meu horizonte musical. Conheci o Heavy Metal de Iron Maiden, e esse estilo é um dos meus favoritos até hoje. A essa, somaram-se Helloween, Angra, e outras bandas. Durante a universidade, essa tendência se manteve e adicionei à minha lista de intolerância o emo. Eu não era eclético. Com exceção das músicas que eu gostava e da música clássica, eu era inflexível com tudo o mais. Com as músicas eletrônicas principalmente, que era forçado a ouvir. Também não gostava de músicas românticas.

Quando comecei a estudar alemão, conheci Rammstein, uma de minhas bandas favoritas atualmente. Eles iniciaram a tendência de buscar músicas em alemão, pois estava tentando aprender o idioma. Aqui na Alemanha encontrei bastante disso, e em todos os estilos. Pelo simples fato da música ser em alemão, eu me interessava pela música, procurando entender a letra, não importando o estilo da música. E assim comecei a ser mais tolerante com todo tipo de música. Die Toten Hosen e Die Ärtze eu conheci aqui na Alemanha, e são bandas que provavelmente vão estar em minhas playlists por um bom tempo. E até abri algumas exceções para a música eletrônica.

Também passei a ser mais tolerante a certos estilos vulgares. Aquele tipo de música que, em determinado momento estoura, e passam-se alguns meses e ninguém lembra mais. Como o Rap das Armas, depois de assistir Tropa de Elite: Parapararrapapapappaprprpaprpaap pa pá… E o Reggaeton, que é vulgar mas é uma evolução natural a quem aprende Salsa. Mas ou menos como passar do Samba formal ao Pagodão vulgar. Mas não, ainda não gosto de samba, muito menos de pagode! Não creio que isso venha a acontecer tão cedo!

Foi na França que aprendi a apreciar música italiana contemporânea. Em Paris, conheci o italiano louco chamado Marco, que estava presente no pique-nique no parque de Montsouris, com seu violão. Ele cantava “Attenzione, concentrazione, ritmo e vitalità!”. Senti-me feliz porque as músicas em italiano eu sou capaz de memorizar trechos para googlear mais tarde e encontrar a música no youtube. Em alemão, esse processo é um pouco mais complicado. Mas, enfim, descobri que essa música chama-se Beppeanna, e a banda chama-se Banda Bardò, a qual já tem presença no meu HD.

Juntando-se essa coisa de música italiana com Legião Urbana, que a saudade do Brasil me levou a ouvir, você acaba chegando às músicas em italiano do Renato Russo. E, ouvindo essas, o youtube te induz, com sua coluna de vídeos relacionados, à Laura Pausini. A qual eu conhecia e não me interessava. Mas tanta é a sua fama que, apesar de eu não gostar até então, tinha a resposta na ponta da língua quando o italiano em Paris, que gostava bastante dela, me perguntou se ela tinha gravado músicas em português. Claro que sim, não sabia quais, pois eu não ouvia suas músicas, mas sabia que sim. Enfim, depois de ouvir algumas músicas dela no youtube, passei a aprecia-las bastante, tanto as em italiano quanto as em português.

E hoje estão muito em baixa todas as músicas cantadas em inglês. Evito ouvir músicas em inglês. Isso enfraqueceu meu gosto por heavy metal, mas injustamente. Porquê eu descobri que alemão é um idioma que se encaixaria perfeitamente ao heavy metal, e as bandas metal de todo o mundo deveriam adota-lo! Mas o inglês continua caindo bem com seu tradicional Rock ‘n Roll. Percebi que, a grosso modo, as línguas anglossaxônicas parecem ter sido feitas para as músicas pauleiras, enquanto as línguas latinas são boas para as músicas românticas. Claro, nada impede que se faça música paulera de qualidade com língua latina ou música romântica com língua anglossaxônica. Bons exemplos disso, para me contestar a mim mesmo, são a banda de metal argentina Rata Blanca, e a cantora romântica austríaca Cristina Stürmer.

Mas o fato é que, houve o tempo em que o inglês dominava com quase hegemonia minhas músicas. Hoje, o inglês ainda existe, ACDC é um bom exemplo, mas anda em descrédito. Quem manda agora é o português. Dou muito crédito a estrangeiros que cantam em português. Como a Shakira, antes de começar a cantar suas músicas em inglês e fazer eu perder o gosto. E alemão tem uma presença forte, e italiano está crescendo, é a minha nova moda. Eu tenho também música em espanhol, em russo, em japonês, em latim e em árabe.

25/05/2009 Publicado por leumattiello | Uncategorized | | 6 Comentários