10.04.09 – Pisa e Florença
Sim. Nova viagem. Aproveitando a sexta-feira santa, pedi mais cinco dias de férias e emendei toda a semana seguinte, totalizando nove dias longe do trabalho. Que deveriam ser aproveitados, da melhor maneira possível.
Há quem possa pensar que todas essas viagens são caras. Viagens desse tipo, eu também pensaria que fossem caras, na minha antiga mentalidade de brasileiro que nunca saiu do Brasil. Não que brasileiros que nunca sairam do Brasil sejam burros, retardados, inferiores, não, por favor, não infiram isso de minha afirmativa! O que eu quero dizer é que, estando na Europa, viajar para outros países europeus é mais fácil e barato do que se imagina, quando não se está aqui. Não é a toa que os europeus adoram gastar seus fartos dias de férias viajando. Graças a três fatores:
- Ryan Air. A imprevisível companhia aérea irlandesa, que vez ou outra, com uma frequência até razoável, oferece vôos a 1 centavo por pessoa. Mais frequentes ainda são os vôos na faixa de 20 euros por pessoa, em média, o que, para um vôo internacional, é um preço bastante razoável. Porém, preços esses que são bastante instáveis, e podem subir algo como 100 euros do dia para a noite. Assim, a questão do transporte se resume a aproveitar as oportunidades, e escolher os dias em cada cidade, de acordo com os vôos baratos disponíveis. Logística pura. Exercício de minimização de custos.
- Couchsurfing. Você fica hospedado em uma casa, com muito conforto, com alguém disposto a te mostrar a cidade, e conhece gente nova. Sem qualquer custo, senão ser respeitoso e gentil com o anfitrião, talvez alguma lembrança ou algo do tipo. Funciona muito bem, a não ser que esteja ocorrendo algo na cidade que atraia muita gente, e então todos os possíveis anfitriões recebem muitas requisições. Enfim, funciona muito bem.
- Área Schengen: Você pode viajar para a maioria dos países europeus sem se preocupar com visto e coisas do tipo. Não precisa passar por agentes de imigração, ninguém nem olha seu passaporte, você simplesmente desse do avião e sai do aeroporto, para a cidade, desde que seu vôo seja proveniente de outro país da área Schengen.
Dito isto, passemos então à viagem em si. Será um longo relato…
Da segunda viagem à Itália, pais que gosto muito, me sinto muito bem quando vou lá. Desnecessário mencionar que a viagem valeu a pena, apesar de alguns problemas que ocorreram.
O primeiro foi a instabilidade da Ryan Air, que me custou 20 euros. É que eles mudaram umas regras, e agora, eu deveria ter imprimido a passagem, e não retirado gratuitamente no check-in, como de costume. Agora eles cobram 20 euros por isso. Felizmente, não precisei pagar essa taxa para os próximos vôos, pois tomei o cuidado de imprimir as outras passagens, tão logo tive a oportunidade de visitar uma lan-house na Itália. Esse não foi o único problema, aliás foi o menor dos problemas. Ainda vivi algumas aventuras e desesperos na Itália, devido a outro problema maior.

O aeroporto de Hamburg-Lübeck (LBC), que mais parece um galinheiro
Mas, antes do problema, cheguei em Pisa. Meu plano previa apenas ficar o resto da tarde em Pisa. Assim, tomei um delicioso sorvete de chocolate na praça Giuseppe Garibaldi, andei pelas belas ruas de Pisa, cruzei uma das estilizadas pontes sobre o rio Arno, e fui ver a torre. Lá fiquei algum tempo (pois não é apenas a torre, tem várias coisas em volta da torre). E depois, fui à estação de trem com destino a Florença.

A torre é pequena. E desesperadoramente torta!
Cheguei em Florença a noite. Não pretendia fazer nada em Florença aquele dia. Apenas de posse do mapa do Google mostrando o caminho da estação Santa Maria de Novena até o Hostel, sobre uma chuva fraca mas constante, com alguma dificuldade encontrei o local. Dificuldade, pois a escala do mapa era inadequada e muitas ruas não eram exibidas no mapa, tornando-o confuso. Chegando no local, me deparei com o problema principal da viagem. Haviam feito overbooking e não havia lugar para mim no Hostel! E eu não tinha um plano B! Havia feito a reserva pela internet, recebido confirmação e, apesar disso, não foi possível permanecer no Hostel. Ok, fiquei então na desconfortável situação de estar numa cidade desconhecida, a noite, sem ter a menor idéia de onde ir. E sem saber falar o idioma local, apesar de que, nos momentos de desespero, de alguma forma você consegue se comunicar – e, por sorte, italiano é um idioma fácil de se improvisar. Não é como Polonês, Mandarim, ou coisas do tipo – o que, se fosse, seria realmente desesperador. Como meu amigo, que foi para a Látvia e passou por alguns apuros similares por lá – lugar onde pouquíssimos falam inglês, e eles têm um idioma que não tem nada a ver com o nosso e completamente desconhecido, que não dá nem pra tentar falar oi ou algo do tipo.
Mas, modéstia a parte, eu sou ninja. No fundo, eu até gosto desse tipo de dificuldades. Somente quando quando consigo, e depois de, resolve-las, claro. Mas, como eu sou ninja, eu consigo resolve-las, na maioria das vezes. Não foram poucas as vezes que cheguei em Campinas, na segunda feira a noite, na minha época de estagiário da Motorola, e não tinha vaga na pensão. Ou quando, por algum motivo qualquer, que invariavelmente estava fora do meu controle, não podia pegar o último ônibus de Porto Ferreira para São Carlos. Sim, em 4 anos e meio de universidade, lidei com muitos problemas desse tipo, e por isso sou ninja. Atuei e resolvi mais esse problema.
Primeiro, não podia contar com o mapa do Google, que mal pode me orientar até o Hostel, motivo único e exclusivo porquê fora impresso. Mas eu tinha um guia do Hostel que eu havia impresso, com informações sobre os pontos túristicos, atividades e, mais importante, com endereços de lan-houses, e os horários em que ficavam abertas. Enfim, pus-me a andar pelo centro de Florença, olhando todas as construções com o objetivo de encontrar ou uma lan-house, ou um outro hostel. Até achei um hotel, 130 euros por noite. Não, obrigado. Quase não acreditei quando dei de cara com uma livraria aberta, em plena sexta-feira santa (o que aliás, na Itália, foi uma outra dificuldade, pois quase tudo fica fechado nesse dia), às 10h30 da noite! Lá, comprei um mapa barato e que me foi utilíssimo durante o resto de minha estadia por lá. Com esse mapa, pude me dirigir à lan-house aberta mais próxima. Lá imprimi as passagens, e procurei por hostels e hotéis na internet. Apenas anotei vários endereços, e com o meu mapa fui me guiando até esses endereços. Segundo hotel, 60 euros. Ainda muito caro. Terceiro e quarto, 50 euros. Não, não dá. Nisso, já era meia noite e meia e tinha parado de chover. E foi aqui que as coisas começaram a melhorar. Esse quarto hotel estava em uma rua cheia de hotéis, o que foi bom, pois muitos desses outros não estavam na internet. Procurei o pior hotel da rua. 30 euros. Por exceção do proprietário, que simpatizava com o Brasil, e após conversar em um misto inteligível de português-italiano sobre futebol, o principal interesse em comum, o proprietário ofereceu um quarto por 30 euros. Um quarto que era, na verdade, ótimo. Melhor do que eu ficaria no Hostel, por 10 euros a mais, e ainda com suite, e dormindo sozinho!

E o quarto, ainda era melhor do que eu esperava!
Depois dessa aventura toda, tive finalmente meu descanso, acordei, e fui finalmente exercer turismo em Florença. O know-how das andanças na noite passada, e o utilíssimo mapa que eu havia comprado, me facilitaram ver, senão tudo o que se pode ver em um dia, quase tudo, o principal. Comecei pelo Duomo. Que me deixou em dúvida. Se era maior que o de Colônia ou não. Pois o de Pisa e o de Milão eram pequenos. Até mesmo as construções do Vaticano eram pequenas. Realmente, Florença humilha Pisa quando o assunto é o tamanho das construções. Mas não deixa a desejar nos detalhes. Não entrei na Catedral, porquê a fila era gigantesca! Enfim, como café da manhã, comi uma pizza ali por perto e segui meu caminho para os diversos pontos turísticos de Florença, que não são poucos. Fiquei o dia inteiro andando, fiz até bolhas nos pés. Mas até isso eu já havia me acostumado, nos tempos de universidade, como atleta ocasional que era, que nas aleatórias e poucas vezes que resolvia jogar futebol era premiado com maravilhosas bolhas nos pés e dores nas pernas. Como se pode ver, não foi apenas cálculo, programação, e esse tipo de coisa que aprendi na universidade.

Pizza!!! Na Itália!!! Quer coisa melhor?
A noite, já estava decidido a não dormir. Aliás, outra situação que, pra variar, os anos universitários fizeram com que não fosse novidade. O fato é que meu vôo sairia de madrugada. Então, comecei o domingo de Páscoa no próprio duomo, dessa vez no interior, e sem filas para entrar, assistindo à vigília de Páscoa. Terminada a vigília, fui ao ponto de ônibus que me levaria ao aeroporto de Pisa, esperei um pouco, e por fim, tive duas horas de sono na desconfortável poltrona do avião. Comecei o dia de manhã, em Paris, quebrado. Mas ainda teria um dia cheio de atividades por lá! E, felizmente, não ocorreram mais problemas pelo resto dos sete dias de viagens. Que foram muito bons, todos eles. Inclusive esses, apesar desses problemas.

O Duomo de Florença. Finalmente algo que se iguala ao Dom de Colônia! Mas, ao contrário de Colônia, Florença não é só a catedral. Florença tem quase tantas coisas quanto Roma. Só tem menos, talvez, por ser menor. Não é a toa que a cidade fora o centro da Renascença. Cidade obrigatória para quem visitar a Itália, nada menos do que isso. Eu diria que, a ordem de importância seria a seguinte: Roma; Veneza; Florença; Milão; Pisa.
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