26.02.09 – Milano
Depois do carnaval em Colônia, a próxima parada foi a Itália. Foi uma viagem de 5 dias, para 3 cidades. Milão foi a primeira delas, e onde passamos menos tempo.
Começa com o avião, sobrevoando os alpes austríacos. Uma bela visão!

RyanAir, se você quiser viajar pela Europa, você ainda vai pegar um desses aviões!
Depois de ter conhecido a catedral de Colônia, a de Milão foi decepcionante… muito pequena. Claro, muito bonita, cheia de detalhes, e, principalmente por dentro, cada centímetro foi cuidadosamente trabalhado, e também, muito ouro, prata, bronze, mármore… e esses materias baratos.


Dai andamos mais um pouco e chegamos ao Castello Sforzesco.

E, claro, não poderiamos deixar de visitar o estádio San Ciro! Estádio de ambas as grandes equipes, a Inter e o Milan!

Milão foi o lugar onde ficamos menos tempo, por ser a cidade que menos tinha coisas para ver. Mas nem por isso deixou de ser interessante.
24.03.09 – Fußball spielen in Deutschland
Sim. Arrumei um lugar pra bater uma bolinha, depois de… come to think of… 1 ano? Talvez mais? Sem jogar. Pior, sem praticar esportes.
A estréia foi na terça feira anterior à data no título desse post. A falta de preparo físico levou a dores nas pernas nos 3 dias seguintes, razoavelmente fortes no segundo dia, com um incômodo para levantar ou começar a andar. Mas isso é normal. Como já fiz isso antes (ficar muito tempo sem jogar e resolver jogar do nada), eu sei que é normal sentir dor. Mas, não deixei de me sentir um pouco velho por isso.
Mas então. Sobre o futebol. A quadra é gigantesca. Me esforcei demais, porquê eles exigem que você, estando no ataque, volte para ajudar a defesa, e estando na defesa, acompanhe o lance para ajudar o ataque. E, numa quadra grande, jogando mais de duas horas (com algumas pausas) e sem preparo físico, isso é destruidor.
O esquema do Wechsel (substituição) é bem interessante. Não tem dessa de perdido, quem ganha fica, ou coisas do tipo. Não, tudo é muito bem organizado. Primeiro, você tem que se inscrever pela internet antes. Então, já se sabe de antemão quantas pessoas estarão lá para jogar. Segundo, tem que chegar pontualmente. Porquê eles fecham a porta.
Então, forma-se 2 ou 3 times, com 6 ou 7 jogadores cada (mas não mais de 18 ao total). 1 fica sentado e os outros 5 jogam, mas quando alguém cansa, voluntariamente vai para o banco. O sujeito que estava no banco, então, vai para o gol, e o sujeito que estava no gol, vai para a linha. Quando outro ficar cansado, repete-se o ciclo. É bem sistemático, e permite que todos tenham tempo para descansar, mas ao mesmo tempo que todos joguem aproximadamente a mesma quantidade, e que todos fiquem aproximadamente o mesmo tempo no gol.
Uma vez compreendido esse sistema, enfrentei a dificuldade de entender porquê não havia lateral. Que coisa mais estranha! A bola bate na parede e continua-se o jogo, normalmente! Também, tem a regra de se bater no teto é falta.
Quanto ao nível de jogo… não achei mais forte do que quando jogava nas quadras da federal, contra os outros bccs/encs. Mais ou menos o mesmo nível. Claro, sem considerar quando os manos da cidade ou o pessoal de outros cursos mais coxas que dão mais tempo para os alunos praticarem esportes, porquê nesse caso, o nível d0 jogo nas quadras da federal ficava mais alto que o daqui.
Há também, a diferença de estilo. Brasileiro, culturalmente, é individualista. E isso se reflete no futebol. O jogador brasileiro pensa mais em si do que na equipe. Os alemães não. Eles são o oposto. Eles prezam o jogo de equipe. Essa história de todo mundo voltar pra marcar, de tocar a bola em vez de tentar criar uma jogada, de voluntariamente sair quando está cansado… no Futebol, não necessariamente isso é o melhor. Isso confirmam as estatísticas.
Mas, cabe aqui um adendo. Como sociedade, empresa, país… sim, esse “comunitarismo” – o dar ênfase à comunidade e não ao indivíduo – é melhor. Também confirmam isso as estatísticas – eles foram detonados em duas guerras mundiais, sem contar os séculos de lutas internas políticas e religiosas antes da unificação, e ainda assim são primeiro mundo. Nós – com uma terra muito mais privilegiada, poucas e pequenas guerras e a nossa cultura individualista do “salve-se quem puder” – subdesenvolvidos.
Enfim, voltando ao assunto do futebol. Concluo dizendo que é por essas e outras que eu mudei minha opinião. Antes eu achava frescura essa coisa de jogador brasileiro que vem pra Europa, e precisa de tempo de adaptação… mas não, agora eu vejo que isso faz todo o sentido do mundo. Dê-lhes tempo!
21.02.09 – Viva Colonia – Kölner Karneval
Antes de mais nada, não reclamem pela ordem dos posts. O post de 21.02 vem depois do de 16.03. Acontece que a data do post que eu sempre coloco antes do título, se refere à data em que aconteceu a história que eu conto, não à data em que eu publiquei.
Tem mais fotos no meu Orkut.
Mas então, indo ao assunto. Foi o carnaval mais legal que eu já fui. Tudo bem que, até agora, o único que eu conhecia era o de São João da Boa Vista. Mas esse foi realmente divertido. Parece estranha a idéia de carnaval com frio, mas sim, é possível! E não estava congelante. A temperatura estava positiva.
Desde o trem, já se via alguns malucos fantasiados, indo para Colônia. A cada conexão, quanto mais se aproximava de Colônia, maior era a porcentagem de fantasiados. Até que, no último trem, quase todos estavam fantasiados!E, chegando em Colonia, era difícil encontrar alguém não fantasiado. Mesmo durante o dia, quando não havia festa. Durante a época de carnaval, é simples: as pessoas simplesmente usam fantasias em vez de roupas. Em todos os lugares: metrô, supermercado, hospital, etc.
Obviamente, as músicas também são muito diferentes. Lá em Colônia a que mais se ouvia era essa.
Sobre a cidade em si, eu gostei. Moraria lá muito tranquilamente. Assim como Dusseldorf. O povo pareceu, a primeira vista, mais amigável do que os alemães do norte. E a catedral, dentre as várias que eu já vi, aquela é sem dúvida a maior, e por uma boa margem. Tão grande, que dificilmente alguma outra catedral vá me impressionar. Ela estava fechada, não pudemos entrar.
Também havia um disfile em que distribuiam chocolates – mas não vi. No final, na estação de trem, havia ainda uma banda… enfim, foi um fim de semana feliz e divertido.

Pessoal de Lüneburg em Köln: Brasil, Colômbia, Alemanha, Brasil, Colômbia. Notem que minha fantasia era… uma camisa da Colômbia, por falta de alternativas, e também porquê não era da Argentina, o que poderia me forçar a ficar sem fantasia se fosse o caso…
16.03.09 – Por um alemão mais latino
OK. Enquanto meu preguiçoso amigo enrola pra upar as fotos de Colônia e da Itália, vou publicar aqui um teste. Há quem diga que alemão é um idioma estranho, esquisito, que não tem nada a ver com o nosso. Pois bem, para provar a incrível similaridade entre alemão e os idiomas latinos, vou publicar esse texto. Acredito que haverão de entender boa parte do texto. Mais, se falarem italiano; mais, se falarem inglês (as palavras em verde-oliva são óbvias; em vermelho, parecem com italiano; e em branco, parecem inglês, que não é latino, mas sempre tem a versão alemã de muitas das palavras inglesas; e sobrou até pro francês, no finalzinho, em azul, e o famoso “Que passa?” do espanhol, em amarelo). Isso é o resultado de evitar, ao máximo possível, as influências escandinavas no idioma e utilizar ao máximo as influências latinas.
Enfim – quem não tem nenhum conhecimento de alemão, me diga quanto do texto abaixo é capaz de entender. Sem usar o google, obviamente.
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Konversieren auf Deutsch ist nicht diffizil. Aber man will nicht auf lateinisch parlieren. Verben wie informieren, studieren, komunizieren, revoltieren, alle sind für uns nicht problematisch. Aber man parliert quasi nie diese Wörter. Das ist nicht normal hier. Mann kann kalkulieren parlieren, aber stattdessen parliert man rechnen. Statt konservieren parliert man aufbewahren; statt konsumieren, aufbrauchen. Das impliziert, dass man in Deutschland lieber Skandinavisch alsLLateinisch parliert!
Aber probieren ist gratis. Ich habe den Wunsch, hier in der Deutschen Nation eine Reportage darüber zu machen. “Wie eine lateinische Person Deutsch parliert”. Oder “Wie komparabel ist Deutsch mit anderen lateinischen Idiomen“. Beispiele:
- Ich probiere einen neuen Orangensaft, reich an natürlichem Vitamin C.
- Die Kanzlerin Angela Merkel regiert die Nation. Sie kontrolliert die Politik des Staates und reformiert alles, und alles wird stabilisiert. Die Opposition hilft gegen Krisen.
- Dieses Sofa ist komfortabel. Es ist international. Es kostet 200 Euro.
- Was ist passiert?
Man kann sich engagieren auf Latein-Deutsch zu parlieren ! Nur ein paar Arrangements, und Voilà! Restaurant, Garage… oder andere Wörter aus dem Französischen! Perfekt! Exakt! Aber… nein. Man parliert lieber genau, statt exakt. Exakt ist zu hart!
Der Text ist nicht so organisiert, strukturiert, systematisch, aber er funkioniert. Und Ende der Diskussion. Ciao.
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Observação: coisa de progamador, esse negócio de colorir as palavras, não? Pena que não tem ctrl-espace pra ajudar aqui.
Outra coisa: se alguém ver algum erro de alemão, pense novamente, porquê o texto já foi corrigido pela Sarah, que é alemã. Ela fez o seguinte comentário:
“Nao concordo muito com a utilizacao de “parlieren”. Essa palavra é um sinónimo de “sprechen”, nao de “sagen”
–> Nao é “man kann kalkulieren sprechen”, é “man kann kalkulieren sagen” etc
Além disso: konsumieren = verbrauchen; konservieren = haltbar machen
“
04.03.2009 – Decentralizada Alemanha…
Sim. Estou começando a perceber as diferenças regionais na Alemanha. Já visitei Berlim, Baviera, Hamburgo, Bremem, Saxônia e Westfália. Moro na Baixa Saxônia. Para demonstrar as diferenças que percebi, divido os parágrafos em tópicos.
Futebol: na minha região, a Baixa Saxônia, ninguém liga para futebol. Até tem um time de futebol em Lüneburg, o glorioso FC Hansa. Um time simpático, alvinegro, o tipo de campeonatos que disputa e o tamanho da cidade que representa o faz lembrar muito o saudoso Palmeirinha de São João da Boa Vista. Mas o povo da Baixa Saxônia é muito esquisito e poucos têm um time de coração. Dentre esses poucos, o mais popular é o Werder Bremen. Na cidade de Bremem, porém, há obviamente muitos e fanáticos torcedores do Werder. Eu pessoalmente não gosto do Werder porquê é verde (até no nome). Em Berlim e na Saxônia também não notei interesse pelo futebol, mas em Berlim seguramente deve haver torcedores fanáticos do Hertha. Já na Westfália e na Baviera, principalmente, o povo é fanático pelo time local. O Bayern é o time amado fanaticamente pelos bávaros, e odiados por todos os demais.
Carnaval: Não existe nas regiões predominantemente protestantes, entre as quais a Baixa Saxônia. Não há nem sequer feriado. As pessoas parecem nem saber o que é isso. Ficam completamente alheias às festividades que se passam em outras terras, às vezes bem próximas. Nas regiões predominantemente católicas, como o sul e o oeste próximo da França, existe carnaval, é muito importante para a população local, atrai muitos turistas. Obviamente é muito diferente do brasileiro – no próximo post, vou contar minha experiência nesse assunto em Colônia.
Idioma: Os baixo-saxônicos se orgulham de falarem o mais claro dos alemães. Mas, para mim, não é nem um pouco claro e vou além, é um dos mais difíceis. Consegui me comunicar melhor em quase todas as outras versões regionais. Porque o perfeccionismo desses baixo-saxônicos se reflete no idioma e, se você não disser os sons exatamente do jeito que devem ser (o que muitas vezes é impossível para um não-nativo) é muito provável que eles não entendam NADA. Um bom exemplo é a própria cidade, Lüneburg. Diga “Luneburg” para um baixo-saxônico e é certo, que ele vai te perguntar “Onde?” ou “O quê?” “Que cidade é essa”? Após repetir várias vezes, tentando fazer o som de ü de todas as maneiras possíveis, modificando a tonalidade da sua voz a cada tentativa, eventualmente por acaso sai o som correto e o baixo-saxônico entente a palavra. Então ele diz, “Ah, Lüneburg?” de um jeito que parece exatamente igual ao que você havia dito na primeira vez, mas que eles asseguram que é extremamente diferente. Não! Eles são os mais chatos nesse ponto. Os outros têm um pouco mais de criatividade, conseguem compreender a palavra mesmo que ela não seja pronunciada com perfeição. O alemão bávaro é muito mais amigável, com menos sons esquisitos e, por isso, a capacidade deles de entender alemão de estrangeiros é maior. O mesmo para o alemão westfálico. O de berlim sim, é o alemão padrão. Os baixo-saxônicos que me desculpem, mas o alemão deles é ruim. E dizem que o mecklemburguense-vorpônico é ainda pior. Deus me livre! Outra coisa interessante é que alemães de diferentes regiões, às vezes até próximas, não raro, não conseguem se entender at all.
Cerveja: Os alemães são extremamente apegados à própria cidade ou estado ou região. Isso gera rivalidades similares àquela de São Paulo e Rio de Janeiro… Mas aqui, a rivalidade se reflete na cerveja. Eu não deixaria de me sentir um bom paulista, por apreciar uma Petrópolis, por exemplo. Mas aqui, no entanto, chega ao ponto de alguns se recusarem a tomar cerveja de outros estados. As vezes, isso ocorre dentro do mesmo estado. Um exemplo famoso é Colônia-Dusseldorf. Para os dusseldorfianos, ser colonense é sinônimo de ser imbecil, idiota, chato, feio e bobo e a cerveja de Colônia é xixi, o que é o pior insulto possível. Já os colonênses dizem o mesmo dos dusseldorfianos, e se recusam a tomar qualquer outra cerveja que não a Kölsch. Também é frequente bremerzenses ficarem sem tomar cerveja, por não haver a popular Beck’s disponível. No fim das contas, todas são boas, quase todas seguem ou se aproximam da regra do Reinheitsgebot. Mas tomar a cerveja da própria cidade é fundamental para um alemão. Lüneburg tem a sua própria cerveja, a Lüneburger, que ironicamente é produzida em Hamburgo. Mas a melhor do mundo, na minha opinião, é a de Munique. Isso até alguns poucos sensatos no norte concordam. Mas nem por isso esses poucos sensatos do norte deixam de desprezar o sul de um modo geral, e xingam o sulista de Weißwurstfresser, o que é o insulto máximo (devorador de salsicha branca). Já o sulista chama o nortista de Fischkopf, o que ataca fortemente a honra desse pois significa “cabeça de peixe”. Aliás, o mesmo que foi dito sobre cerveja se aplica a salsicha, que é motivo de orgulho regional, e falar mau da salsicha da cidade de alguém é uma ofensa da maior gravidade.
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