02.01.09 – Visita a Breslau
Em polonês, Wrocław (lê-se “Vrotslau”). Observe o “l” cortado no meio, uma das peculiaridades do idioma polonês, que é tão cheio de doideiras que chega a fazer o alemão parecer normal! Em alemão, Breslau. Como eu já estou um tanto quanto germanizado, prefiro usar esse segundo nome. Escolhemos essa cidade, porque era próxima da fronteira, mais fácil de voltar pra casa, uma vez que a estadia seria curta. E também, pra conhecer a universidade famosa.
E… o que tinha lá? Gelo! Muito gelo. Mais do que em Praga. Não sabemos a temperatura que estava lá, mas até o rio Oder (mais uma vez, nome em alemão. O nome em polonês é Odra) estava congelado!
A curiosidade é que eu realmente estou sendo germanizado. Enquanto estive fora da Alemanha, eu fiquei com saudades de Lüneburg e, acreditem ou não, senti falta das palavras em alemão que já são familiares! É estranho olhar nas placas das estações e não achar o Ausgang, ou o Gleis… em polonês, plataforma é “Peron“, muito estranho. Não, Gleis é muito mais natural, não? E Vychod (Saida em tcheco)? Bah. Ausgang!
Sobre os poloneses, não tenho muito bem a falar não. São tão vagabundos quanto os tchecos, mas são piores! São mais mau-educados, não falam (ou não querem falar) inglês, e ainda são folgados. Talvez seja a região, mas o fato é que… ô povinho! E sobre a Polônia, pareceu extremamente pobre. Em Praga não, parecia igual a Alemanha. Mas Breslau… muito pobre.
Ok, tendo metido o devido pau na cidade, falemos agora das coisas boas da cidade. Sim, a cidade tem muitas coisas boas. Pode-se ver algumas na wikipedia. Está em inglês, mas pelo menos as figuras, todo mundo entende, não?
Então, chegando na cidade, já vimos a Glowny, toda estilosa. (Mais uma vez, senti falta da Bahnhof, a que já estou acostumado). A cidade também tem várias catedrais, pontes, Rynek, Arkady, um belo museu, etc. (vide link acima). Mas, como a cidade é pobre, não tem metrô, e levamos um tempo pra descobrir qual o bonde correto que deveríamos tomar. Era o Dworzec Pks.
O que realmente impressionou foi a Aula Leopoldina. Uma sala de aula modesta, onde professores modestos, do naipe de Erwin Schrödinger, lecionaram.

Então é isso, pra terminar eu conto sobre o dia mais frio da minha vida, que por incrível que pareça, foi em Lüneburg. No dia 06/01/09, fez -16ºC. E, a propósito, o rio congelou aqui também. Mas hoje, que eu estou contando isso, já está fazendo calor denovo… o rio descongelou, a neve está descongelando. Está fazendo 4ºC! Isso é muito quente! Não precisa nem usar duas calças e um pullover por baixo da jaqueta!
27.12.08 – Ano Novo em Praga
II) Praga
Praga foi a melhor e a mais longa parte da viagem. Em Praga estava mais frio do que em Berlim, uns -8ºC. Em Berlim eu tinha visto pela primeira vez uma poça de água congelada, mas em Praga eu vi um lago, uma fonte e um poço (inclusive com algumas moedas) congelado. A fonte era em um parque, no qual apenas os pinheiros tinham folhas. Mas haviam uns pavões, que viviam nesse parque, e ficavam soltos! Bem legal. O poço pra jogar moedas era na vinha do rei, do lado de fora do castelo. Também as vinhas estavam com as folhas todas queimadas… e o jardim do rei também estava fechado. Acredito que no verão essas coisas devam ser muito bonitas!
Mas então, em Praga, ficamos num hotel, um ótimo hotel, que foi reservado com muita antecedência e por isso ficou num preço acessível. Praga tem uma infra-estrutura do mesmo nível da Alemanha, o metrô é bom e aprendemos a usar rapidamente. Depois de algum tempo, já sabíamos de cor as estações e as direções, apesar dos nomes complicados. Também tivemos que trocar dinheiro, 1 euro por 25 coroas tchecas. Mas as coroas tchecas acabaram mais rápido que o planejado… as coisas são caras em Praga.
Uma peculiaridade do povo tcheco é que eles não gostam de trabalhar. O castelo, que deveria fechar as 16h, fechava 15 minutos antes… os guardinhas, que deveriam estar no posto de guarda, encontramos eles dentro de uma loja jogando baralho! E, a moça da informação na estação principal, quando via que tinha algumas pessoas na estação procurando alguma coisa, fechava o vidro pra não correr o risco de alguém vir perguntar alguma coisa pra ela! E a fiscalização no metrô, muito rara (em 6 dias, vimos 1 vez), e no ônibus, inexistente. (Igual na Alemanha, não existem catracas, você compra o ticket se quiser, mas se for pego sem ticket tem uma multa de +- 10x o valor normal do ticket). Tirei uma foto com a guardinha (a única que eu achei, os outros eram todos homens. Eles são como aqueles guardas ingleses do palácio de Buckingham, não podem se mover, não podem dar risada, não podem fazer nada, têm que ficar lá como estátuas, e o pessoal vai tirar fotos do lado deles).
Mas a gente utilizou isso (a vagabundisse deles) também para nossa vantagem. O ticket do castelo dá direito a visitar 1 vez todas as coisas do castelo. Alguns museus, não permitem fotos de jeito nenhum; em outros, precisa comprar um ticket mais caro para ter direito a tirar fotos. Tem gente vigiando, mas as vezes eles ficavam sentados na cadeira, alguns guardas dormiam… e ai, basta um pouco de discrição para tirar fotos de alguns objetos que simplesmente não poderiamos deixar passar sem foto! Outra coisa que foi para nossa vantagem, é que o ticket valia para 2 dias, mas como fechavam o castelo muito cedo, não conseguimos ver tudo nesses dois dias… alguns números ainda estavam desmarcados. Então, fomos lá no terceiro dia e, como sempre, não verificaram a data, limitavam-se a marcar o número do ponto deles! Assim, pudemos ver todo o Castelo de Praga em 3 dias.
Além das coisas medievais do castelo (sala de tortura, loja de armas e armaduras, banheiro medieval, museu de armas…), havia uma catedral. Na catedral, várias esculturas, de gesso, mármore, bronze, prata, ouro, e combinações desses materiais… uma coisa impressionante. Vários museus, cujas histórias misturam as famílias reais originalmente tchecas ou austríacas… Obviamente, museus pequenos comparados com o de Dresden, por exemplo. Mas continha peças similares às dos reis saxônicos, peças de jade, marfim, ouro, etc.
Mas Praga não se limita ao castelo. O Castelo de Praga fica na cidade nova, ou seja, na margem ocidental do rio Vltava. Há muitas coisas na cidade velha. Inclusive as pontes que ligam essas partes são pontos turísticos. Para ver todas as várias coisas da cidade velha, usamos o “free guide tour” que mostra e conta a história dos principais pontos da cidade. É de graça, teoricamente, porquê você paga se quiser, e quanto quiser. Mas geralmente todo mundo dá um trocado para a guia, então na prática não é de graça. Nesse tour, visitamos a catedral da cidade, e várias outras igrejas, o teatro, o museu nacional da República Tcheca, a sinagoga que foi construida com pedras trazidas do templo destruido de Salomão, um prédio torto, e outras coisas.
O ano novo, teve um show com os principais artistas tchecos, no que seria a Av. Paulista deles.
Depois disso, pegamos um ônibus extremamente podre (linha Praga – Minsk), de dar inveja aos “Rurais”, para Breslau. A mulher não falava inglês, a gente era obrigado a ouvir rádio (não tinha como desligar)… e ele precisava ir bem devagar, porque estava nevando e as estradas estavam escorregadias. Depois de +- 3h30 de viagem, com muita neve, estávamos cruzando a fronteira, passando debaixo de um portal com o brasão da Polônia, escrito Rzeczpospolita Polska. Como seria a curta estadia no Voivodato da Silésia?
24.12.08 – Natal em Berlim
De 24.12.08 até 04.01.09. Três cidades, três países, mais de 1000 fotos. Temperatura bastante negativa durante toda a viagem. Muitas novidades, então vamos por partes.
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A viagem começou com os meus tradicionais lapsos de memória. Sai de Lüneburg para Hamburgo, onde pegaria o ônibus pra Berlim. Porém, chegando lá, 13h +-, eu percebi que tinha esquecido os tickets das próximas viagens… e o ônibus pra Berlim sairia as 14. Resultado, precisei mudar o horário do ônibus, voltar pra Lüneburg, pegar os ticket e voltar pra Hamburgo denovo, e só então ir pra Berlim. Por fim, lá pelas 18h eu estava em Berlim.
A ceia de natal foi baseada na culinária francesa. Tinha sopa de cebola com queijo derretido, algumas outras coisas que eu não lembro o nome mas muito boas, e é claro uma boa taça de vinho tinto. Nos dois dias seguintes, as receitas foram todas alemãs e a gente comeu muito Eisbein, Chucrute, Kasseler…
No dia 25, fizemos um tour pela cidade de Berlim. Começamos no Portão de Brandemburgo. Então, vimos o Reichstag, o lugar onde era o muro de Berlim, o antigo bunker de Hitler, alguns prédios que ainda têm buracos de bala da segunda guerra, o prédio da kgb que ficava bem de frente para o prédio da cia (e deu pra entender que Berlim era extremamente tensa durante a guerra fria), a famosa Humboldt Universität, alguns palácios, museus e catedrais, que são vários pela cidade. Muito interessante. Em um ponto do tour, tinha um russo que vendia alguns artigos soviéticos, como aqueles chapéus de pelo com broche da União Soviética (que eu queria comprar, mas estava caro). Por fim, depois de muito pechinchar eu comprei um broche soviético e uma moeda de rublo. O ponto alto dessa viagem foi quando vi, pela primeira vez na minha vida, uma poça de água congelada! Pode-se andar no barro, em cima das poças, porque elas estão congeladas e não sujam o sapato e isso eu achei algo muito interessante.
No dia 26, visitamos a Weihnachtsmarket de Berlim, onde comprei uma caneca de recordação. (Agora já tenho caneca de glüwein de Lüneburg, Hamburg e Berlim). Descemos uma montanhinha de gelo num tipo de bóia… legal, dá um pouquinho de medo, parece que não vai parar e pega muita velocidade… fomos visitar também o Reichstag por dentro, tem uma fila pra entrar mas vale a pena. É possível subir na cúpula do Reichstag, e de lá se pode ter uma boa vista da cidade. Também se pode ver observar os parlamentares por cima deles, e ainda saber quais votaram sim, não ou se abstiveram sobre uma determinada consulta. Tem uma porta para cada uma dessas opções. Depois visitamos uma igreja (Kaiser Wilhelms Kirche) que não reconstruiram depois da guerra, em vez disso contruiram outra nova ao lado. Depois estava muito frio e decidimos voltar pra casa, comer mais kasseler e assistir algum filme em alemão.
No dia 27 de manhãzinha, depois de todo esse processo de germanização pegamos o trem Berlim-Budapest com destino a Praga, e perto da fronteira com a Rep. Tcheca passamos por uma cidade muito interessante chamada Bad Schandau. O lugar é muito bonito, é um rio com montanhas dos dois lados, e ao longo do rio tem a cidade e a linha de trem. No alto de algumas montanhas algumas coisas interessantes, inclusive um castelo… e algumas vezes o trem passava perto de algumas paredes de pedra onde se podia ver minas de água, que estavam congeladas! E ai terminou a parte alemã da viagem.
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