27.10.08 – Só pra constar
Sem citar nomes. Mas não poderia deixar de passar em branco.
Cidadã norte americana, falando sobre cidades: “Buenos Aires é uma das maiores cidades do mundo, não é mesmo?” (tentando referir-se à capital do Brasil)
Eu: “Buenos Aires é a capital da Argentina… e não é uma das maiores cidades do mundo.”
Ela: “Ah… ok… é normal a gente não saber… vc sabe, por exemplo, qual é a capital da Virgínia?” (Ela vem da Virgínia)
Eu: “Richmond!”
Ela: “Ahhhh!!!!” (viu que não dava pra brincar e mudou de assunto).
22.10.08 – Mudando um pouco o tema…
Em vez de Alemanha, agora falemos de Itália.
Ontem, quando eu cheguei em casa vindo do trampo, estava lá a encomenda. Era uma bandeira da Itália, que eu havia comprado pelo EBay, custou 2,40 euros! Aliás, chegou mais rápido do que eu esperava. Não é um tecido da melhor qualidade, mas é bem grande. E ficou muito legal, pendurada na parede branca do meu quarto. Quando eu tiver o notebook (lá vem eu com essa conversa denovo) eu mostro a foto dela… (Acreditem, é possível viver sem internet em casa e sem televisão também).
Eu fiquei com vontade de comprar uma bandeira, depois que eu fui na casa do amigo do meu amigo Macedônio, e lá havia uma grande bandeira da Macedonia pendurada. Ele me falou que comprou pelo EBay e tinha pago apenas 2,40 euros, o que na hora eu não acreditei muito… mas depois, constatei que era verdade. (Quem souber dizer, sem procurar pela internet, como é a bandeira da Macedônia, ganha um doce! Quem souber também a capital, ganha dois).
Mas enfim, por causa da bandeira, eu quase não dormi hoje a noite! Toda hora, eu ficava abrindo os olhos, pra olhar a bandeira novamente. E ela me fez pensar em uma série de coisas sobre a Itália… bom, primeiramente, explico porquê comprei uma bandeira da Itália, e não do Brasil. Sou brasileiro com muito orgulho, porém sou também candidato a cidadão italiano (uma vez que, devido à eficiência inacreditável e à excelência no atendimento do consulado italiano de São Paulo, tenho que esperar 2 ANOS, no mínimo, apenas para receber um carimbo que me permitirá DAR INÍCIO ao processo de cidadania… legal, né?).
Bom, se eu quero a cidadania italiana, é porquê tenho planos de vir para a europa, certo? Bem, não necessariamente… A maioria das pessoas normais, quer a cidadania apenas pelos motivos práticos (ou seja, o privilégio de poder ir, vir, morar, trabalhar e receber beneficios na Europa). Tudo isso é muito legal, porém o principal motivo porquê eu quero a cidadania italiana não é esse. Mesmo porque, a princípio, não tenho como objetivo vir morar na Europa (apesar de que, não descarto essa possibilidade, se eu arrumar um bom emprego por aqui). Para mim, os principais motivos são os simbólicos. Na verdade, eu posso ser considerado cidadão italiano de acordo com a constituição italiana, que reconhece seus cidadãos de acordo com o jus sanguinis (isso significa que você é cidadão, se você for descendente de um cidadão, não importando onde você nasceu; diferente da nossa constituição, baseada no jus soli, que determina que você é cidadão, se nasceu no território do pais, não importando qual seja sua descendência; há ainda países que podem reconhecer segundo ambos os critérios). Bom, eu sou brasileiro pelo jus soli e todo mundo já sabe… mas eu também sou italiano pelo jus sanguinis e quero ter meu direito à cidadania reconhecido.
Além de parte do sangue, tenho sobrenome italiano, e também nome tipicamente italiano (porém aportuguesado com o acréscimo do prefixo H). Apesar disso, não pareço com italiano nem com brasileiro; os primeiros palpites geralmente são “dos bálcans” ou “turco”… (talvez por causa do nariz avantajado?) Bom, jamais tentaram chutar Brasil, nem qualquer outro pais da América Latina, nem EUA, nem Europeu Ocidental (talvez porquê meu sotaque de inglês* é muito diferente do que eles estão acostumados, então por isso eles chutam essas regiões marginalizadas da Europa?)
*na verdade, meu inglês escrito é perfeito, porém meu inglês falado é sofrível. Já o alemão escrito é sofrível, e falado péssimo. Mas são suficientes para a sobrevivência.
11.10.08 – Dusseldorf
Imagine a cidade de São Paulo.
Imagine que o rio Tietê e o rio Pinheiros fossem totalmente despoluidos. Também fosse dado um jeito na poluição do ar, e a cidade deixasse de ser “cinzenta”.
Os problemas de engarrafamento fossem resolvidos; meios de transporte de massa eficientes, mas também espaço suficiente pra todos andarem de carro, sem engarrafamentos, inclusive na hora do rush.
Boa parte das marginais fossem transformadas em vias de pedestres (sem que a cidade perdesse capacidade de trasporte com isso), cheia de bares, restaurantes, pessoas andando de patins e skate, tudo isso bem de frente para os rios, que, despoluidos, agora eram usados pelas pessoas para andar de jet ski e outras atividades aquáticas, e à beira do rio, as pessoas faziam pic-nics e, por isso, se transformassem em pontos turísticos e aumentassem a renda da cidade. Isso de forma a que, para a população local, com o passar do tempo, o rio Tietê recuperasse o significado histórico e passasse a ser respeitado e admirado, tal como o Reno é pela população de Dusseldorf; e os estrangeiros, então, passassem a ver o rio Tietê como um rio chic, tal como vêm o Reno, e passariam a vir simplesmente para conhece-lo.
E também acabassem os sequestros relâmpagos, e os problemas com violência e as favelas fossem urbanizadas.
Pois então, se apenas esses poucos pontos fossem melhorados, São Paulo alcançaria o mesmo nível de desenvolvimento que Dusseldorf!
(Obs. para os paulistanos de plantão: ter um melhor nível de desenvolvimento, não significa que a cidade seja melhor ou pior… porém, na minha opinião, se São Paulo conseguisse alcançar o nível de Dusseldorf, seria não apenas melhor que Dusseldorf, mas que qualquer cidade do mundo (só que minha opinião não conta sobre isso, porquê eu sou paulista e minha tendência é supervalorizar São Paulo)).
08.10.08 – Estratégia russa
Tem um camarada russo aqui (sem citar nomes), no lugar que eu trampo, que usa uma estratégia muito eficiente para lidar com quem vai interrompe-lo. Às vezes, essa estratégia é muito engraçada pra gente, que está observando.
A idéia é a seguinte: Ele usa um pequeno, de fácil memorização, conjunto de expressões, do tipo: Sim, Claro, OK, etc. Cada vez que o a pessoa fala alguma coisa, não importa o quê, ele escolhe aleatoriamente uma dessas expressões e responde. Assim, ele mata vários coelhos de uma tacada: ele não precisa prestar atenção ao que a pessoa está dizendo, não precisa pensar pra responder, e não precisa parar de fazer o que ele estava fazendo! Genial, não? Ele usa essa estratégia até mesmo com o chefe.
Um dia, um colega resolveu fazer um teste. (Colega; Camarada russo.)
“Camarada russo, posso falar um instante com você?”
“Sim, claro.”
“Acabou de chegar uma notícia aqui… sua mãe morreu.”
“Sem problemas.”
“É sério… eles ligaram aqui pra avisar.”
“Ok”.
Mas essa estratégia apresenta algumas falhas em determinadas situações… como, por exemplo: (Outro colega; Camarada russo)
“Camarada russo, poderia me explicar como funciona isso aqui?”
“Sim, sim.”
“… então, como funciona?”
“OK.”
Bom, essa semana eu precisei me utilizar dessa estratégia. Mas não foi aqui na empresa. Foi lá em casa, porquê o hausmeister (síndico) foi dar uma checada nos apartamentos. E, como eu fui o infeliz que levantou primeiro (era 7h da manhã, e o camarada não parava de tocar a campainha igual um louco), fui obrigado a usar dessa estratégia (porque, mesmo que eu quisesse, eu não ia entender mesmo… ele era do tipo de pessoa que eu não entendo. Tem alguns alemães que eu entendo alguma coisa, outros eu não entendo quase nada, depende do jeito que a pessoa fala). Mas eu dei uma aperfeiçoada na estratégia.
Minha variação, chamemos de “estratégia brasileira”, é similar à estratégia russa, mas deve-se prestar atenção a se o que o sujeito está falando é uma frase afirmativa ou interrogativa. Da mesma forma que a estratégia russa, o que o sujeito está dizendo é irrelevante. Se a frase for afirmativa, usa-se a estratégia russa. Se for uma frase interrogativa, pede-se pro sujeito repetir a pergunta (aproveitando-se do fato que eu não entendo alemão muito bem…) e ele provavelmente vai reformular a pergunta na forma “opção A ou opção B?”, em que a resposta esperada é A. Então, basta apenas dizer “Ja,” e repetir a primeira metade da pergunta! Fácil, eficiente, e educado! Pode ser utilizado em qualquer idioma (uma vez que não há a necessidade de entender o que a pessoa está dizendo.). E, não tem os problemas da estratégia russa!
Não exige nenhum conhecimento do idioma em que a pessoa está falando, pois os feedbacks que você dará são sempre os mesmos, independente do que a pessoa disser. “Sim” pode ser expresso balançando a cabeça pra cima e pra baixo, e “não entendi a pergunta, reformule por favor” pode ser feito simplesmente olhando o sujeito com uma cara de “não entendi direito”. No entanto, se você souber falar essas expressões no idioma em que a pessoa está falando, a estratégia será mais eficiente, pois irá reforçar a certeza do interlocutor de que “ele está ouvindo atenciosamente, compreendendo e concordando com o que eu estou dizendo”. Mas, se você souber falar de formas diferentes essas duas expressões, além de funcionar perfeitamente, o interlocutor ainda vai pensar “nossa, além de ser atencioso, compreensivo e concordar com o que eu estou dizendo, esse estrangeiro fala muito bem o meu idioma”.
04.10.08 – Dresden
Fim de semana em Dresden. Acomodação gratuita. 14 euros de passagem, e 16 horas de viagem, ida e volta.
As sensações que eu tive dessa cidade foram controversas. Ao mesmo tempo que eu fiquei impressionado com a beleza da cidade (que DEVERIA ser uma das mais belas do mundo), eu fiquei aterrorizado com o que eu vou descrever a seguir.
Dresden foi MUITO afetada pelos bombardeios aliados. Mas, ao contrário de Hannover que foi transformada em entulhos (e, por isso, teve que ser necessariamente reconstruida), em Dresden foram utilizadas toneladas de bombas incendiárias, na cidade inteira. Assim, as construções que deveriam fazer de Dresden uma das mais belas cidades do mundo, foram literalmente torradas (porquê as bombas incendiárias espalham uma substância altamente inflamável ao redor de onde caem, que gruda nas paredes e janelas das construções e faz com que tudo pegue fogo ao redor, inclusive dentro das construções). Ou seja, os tijolos, esculturas, pedras, os detalhes das construções ficaram todos pretos por causa disso (mais ou menos como a parede de uma churrasqueira de tijolos). Algumas das construções foram limpas; outras, foram parcialmente limpas (porquê alguns detalhes, como as esculturas, simplesmente não podem ser limpos pois seriam destruidos no processo); outras, grande parte delas, foram deixadas de propósito pra lembrar do terror dos bombardeios, ou por ainda não ter havido alguma iniciativa para restaura-las (porquê, aguinha com sabão não basta pra limpá-las… é um processo complicado, tanto que, depois de 60 anos, elas ainda parecem tão torradas quanto ao fim da guerra).
Bom, ao ver grande parte das construções antigas da cidade dessa forma, eu fiquei muito atormentado, porquê lá eu tive a sensação de “foi ontem”… como se eu estivesse na cidade, que tinha sido bombardeada recentemente… e eu imaginei como deveria ser, enquanto estava sendo bombardeada com bombas incendiárias, e eu, que não sou uma pessoa muito emotiva, fiquei realmente atormentado com esses pensamentos. E, também, fiquei revoltado, porquê que tipo de animal estúpido pode ter a idéia de jogar bombas incendiárias em catedrais, casas, museus (onde estavam algumas das obras mais importantes da humanidade que foram simplesmente perdidas), teatros, mercados? (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamento_de_Dresden)
Bom… foi isso o que me veio na cabeça, enquanto eu passeava pela cidade, e isso não foi muito legal. Mas, fiquei apaziguado quando eu entrei na galeria de arte, que é a maior da Alemanha. Os quadros medievais quase sempre sobre temas religiosos, os renascentistas que misturavam temas clássicos com religiosos, os iluministas que eram feitos sempre sobre algum tema alegre… a própria arquitetura da galeria, cheia de detalhes e tal… E depois, eu vi a exposição de armas medievais “chics” (armaduras, espadas, etc que eram utilizadas por nobres, monarcas, etc). Cada arma tinha sua própria história; geralmente eram feitas pelos melhores ferreiros e eram muito enfeitadas e decoradas. Por fim, a gente foi na residência dos Wettin (dinastia que governava a Saxônia antes da unificação da Alemanha), onde eram expostas peças decorativas que pertenceram a membros dessa dinastia. Eram peças como taças, condecorações (inclusive uma que foi dada por Dom Pedro I!), tinha uma lareira de marfim com detalhes em ouro e prata (presentinho do czar…), e muitas outras coisas puramente decorativas, e a quantidade de detalhes e ouro e todo tipo de pedras preciosas que eram usados nessas peças realmente impressiona. Havia ainda muitas outras exposições, que não tivemos tempo de ir…
Por isso meus sentimentos sobre essa cidade foram antagônicos; eu vi, no mesmo lugar, ao mesmo tempo, algumas das coisas mais belas e das mais terríveis que o ser humano é capaz de fazer.
03.10.2008 – Feriado nacional!!!
Hoje será feriado (porquê hoje, na verdade é ontem). Não entendeu? Eu estou escrevendo, na realidade, hoje, em 02/10, mas a data importante é 03/10. E eu quero que o hoje, nesse post, se refira à data importante, e não a hoje em si. Entendeu agora? Ok. Also los.
Feriado do quê? Tag der deutsche Einigkeit.* Um dos escassos feriados alemães que, por uma grande felicidade, caiu numa sexta-feira! Então, em homenagem à pátria que (sic) tão gentilmente me recebeu de braços abertos, e tem me (sic denovo) hospitalizado tão bem, vou fazer uma homenagem. (quádruplo pleonasmo com palavra errada)
*Dia da unidade alemã
Terra de muitas virtudes.
Fußballland
SchonekellnerinBierland
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