Nihil obstat

Germania, Corinthians, et cetera

28.09.2008 – Hannover

Fim de semana é tempo de viajar. Dessa vez a cidade escolhida foi Hannover. É preciso conhecer a capital da Bundesland (província) em que estou vivendo!

Capital e maior cidade da Baixa Saxônia, Hannover é a terra natal da dinastia de Hannover (nome bastante óbvio…), ou Casa de Hannover, fundada  no século 17 por Ernesto Augusto, duque de Brunswick-Luneburgo (Fiz questão de mencionar isso!) . Em determinado momento da história, devido ao complicado sistema de casamento entre a nobreza européia, eles herdaram o trono da Inglaterra. No entanto, a Saxônia foi depois incorporada pela Prússia, e a Casa de Hannover mudou sua sede para Windsor, e como são muito originais, mudaram o nome para Casa de Windsor. Pra quem não sabe, o chefe da casa (atualmente Elisabeth II) é também chefe de estado de países como Inglaterra, Austrália, Canadá, Jamaica, etc. Alguém pensava que Luneburgo e Jamaica não tinham nada em comum? E que essa relação seria descrita num post sobre um passeio de fim de semana?

Anyways, o que tem essa história a ver com a minha viagem? Bem, devido ao fato de ter sido capital de um reino, cuja família real era (e ainda é) poderosa, havia muita preocupação com a beleza da cidade. Muitas coisas muito bonitas foram construidas, incluindo o parque “Herrenhäuser Schloss”, (que, em tradução literal significa Parque do Castelo das Casas dos Senhores… hehe não se deve fazer esse tipo de tradução, mas quase sempre fica engraçado com os nomes das cidades e bairros daqui!). Mas ocorreu que, durante a segunda guerra mundial, Hannover foi simplesmente reduzida a ruinas (a cidade era um monte de entulho quando acabou a guerra).  E o que os alemães fazem, quando suas cidades bonitas são destruidas? Reconstroem-nas, ainda mais bonitas, e ficam ainda mais orgulhosos (se é que isso é possível) de seus monumentos. Por isso, Hannover é uma cidade que, na minha opinião, valeu a pena visitar. Ainda mais sendo bem próxima de onde moro!

Ainda não acha Hannover foda? Já ouviu falar da banda Scorpions? Sabe de onde são?

Bom, não vou perder tempo em explicar as coisas que visitei. Pra que usar mil palavras, se eu posso usar uma imagem? Aguardem, já são 450 imagens na fila para postar. Será quite um álbum!

29/09/2008 Publicado por leumattiello | Deutschland | , | 1 Comentário

19.09.2008 – Viagem à ilha Spiekeroog

Dê uma olhada no mapa, no litoral alemão do mar do norte, próximo à fronteira com a Holanda. Tem uma porção de ilhas próximas à costa. São as chamadas ilhas leste-frisianas (porquê ficam ao leste da região holandesa da Frísia!).

Novamente a IAESTE Lüneburg subsidiou boa parte da viagem, que ficou a um preço acessível. Eu pedi um dia de férias (aqui pode fazer isso, tenho direito a 20 dias de férias, e você pode usa-los conforme quiser, ao longo do ano). E foi mais um pessoal da IAESTE Potsdam e do Erasmus. Fomos de sexta a domingo nessa ilha, bastante peculiar.

Apesar do sol e do tempo bonito, estava um pouco frio. Na verdade, de madrugada e de manhã era bastante frio. Tem uma pequena vila na ilha, e praia, pantanos, algumas árvores e alguns pastos. Colocando dessa forma, parece normal. Mas pra mim foi bastante interessante. Muitas das coisas que eu presenciei foram novidade para mim. A começar pelo ferry-boat. Na ida, fomos de balsa, e na volta, no tal “tradicional barco de pesca de Spiekeroog”. Tinha também os seagulls (como é o nome disso em português? São umas aves típicas de portos…), é bem interessante o jeito que eles voam, meio de lado por causa dos ventos que geralmente existem nas praias.Descendo na ilha, a gente andou um pouco por uma trilha num pasto (que tinha uma ovelhas…), aliás é um animal interessante a ovelha, muito pacífica. Também tinha cavalos (a baixa saxônia é conhecida desde a idade média por “produzir” bons cavalos, tanto que, se observar o brasão da baixa saxônia, é simplesmente um cavalo branco num fundo vermelho). E teve também a caminhada pelo que seria similar ao mangue no Brasil, mas aqui obviamente é diferente… E teve o tradicional “ostfrisian tee”, ou chá leste-frisiano. Tem todo um ritual pra tomar o chá. Muito chic.

Dentre as nacionalidades presentes no evento, pode-se citar: Turquia, Macedonia, Grécia, Sri Lanka, Ucrânia, Rússia, Finlândia, EUA, Irlanda, UK, Hungria, Alemanha (!) e o Brésil (eu). Dentre as atividades sociais, teve a primeira confraternização na sexta a noite (em que todos conheceram todos e teve algumas brincadeiras pra conhecer melhor o povo). Nessa ocasião surgiu a piada do finlandês (em inglês, finlandês é finish… então, a gente começa, mas ele finish…) e a piada dos húngaros (hungarian falado rapidamente parece hungry, que significa faminto, então eles eram os caras que estavam sempre com fome). As russas e ucranianas faziam umas coisas que a gente desacreditava… elas comiam umas frutinhas que tinham num arbustos ao longo do caminho… entravam na água gelada… e montaram nos cavalos! O cara da macedônia, os húngaros e os alemães gostavam de falar de política. Eu também gosto, mas eu não manifesto minhas opiniões sobre política se eu não for muito amigo de todas as pessoas que estão discutindo. Essa é outra característica dos europeus… principalmente no leste e na europa central. Eles gostam de conversar sobre política. Durante o passeio pelo “mangue” o americano teve um xilique e resolveu se jogar na lama e ficou preto literalmente. Depois disso ele passou a ser chamado “crézy america” pelo grego, que tinha um sotaque de inglês muito peculiar. A turca ficava só no canto dela (ela é turca, e mulher… a educação que elas recebem é desse jeito…). Nunca aceitava ajuda pra nada (tava quase morrendo de carregar as malas), mas era bem simpática. E tinha a russa que ficou conhecida pelo uso frequente de verbos no imperativo, e pelas respostas óbvias como por exemplo, “o que você está ouvindo?” “Música!”. Os outros (irlandês, britanica, outro americano e sri lanka) formaram um grupo meio fechado e não se relacionaram muito com os demais. O macedônio é meu camarada de trampo, então eu já conheço as piadas dele. É um sujeito engraçado.

No sábado a noite teve o churrasco, com uma fogueira. Mas ai o povo resolveu ir pra praia, de madrugada!. Tava um frio desgraçado e eu não gostei da idéia de sair de perto da fogueira, mas só o começo é ruim, depois você se acostuma com a temperatura… tanto que tinha um alemão de camiseta, chinelo e bermuda… e pra ele era estranho que eu tava com frio… “Pô, cê tá com frio, hein?”, ele falava… porque eu tava de luva, toca, agasalho, etc., e de fato tava com muito frio… “Eu tô, vc não tá não?” Bom, o cara é alemão, e físico, então a anormalidade é previsível.

Mas uma vez peço desculpas por não postar fotos. Eu tenho a câmera mas não tenho notebook ainda…  eu já tenho algo como 250 fotos no SD. Quando eu postar, vai ser um monte de uma vez.

22/09/2008 Publicado por leumattiello | Deutschland | | 3 Comentários

14.09.2008 – Cidade livre e hanseática de Bremen

Domingo fomos pra Bremen, fazer um passeio pela cidade. Bremen tem cerca de 600000 habitantes, e é toda orgulhosa de ser uma cidade hanseática, e também uma cidade-estado (Bremen fica dentro da baixa saxônia, mas não faz parte da baixa saxônia. Bremen só faz parte de Bremen porque eles são muito orgulhosos e não gostam de se sujeitar a ninguém).

Como toda cidade alemã, Bremen tem uma bela Rathaus (prefeitura). Mas, diferente das outras, Bremen não tem apenas uma Rathaus. Em Bremen há duas Rathaus. Uma é a chamada NOVA (tem mais de 100 anos). A velha é do século XV, e é considerada patrimônio da Humanidade.

Tem o Werder Bremen (um time que eu não gostei, porque não apenas é verde mas também se chama vérder… ou seja, é o Palmeiras daqui). Apesar disso, o time tem um belo estádio, que é uma das atrações turísticas.

Entre nós havia uma búlgara, uma ucraniana e uma russa. As três conversavam em russo. Apesar da gramática russa ser mais complicada e ter aquelas letras cirílicas malucas, o jeito de pronunciar as palavras é muito mais fácil do que o alemão. Eu tentei fazer uma “média” falei algumas frases em russo, que eu já sabia, e e as meninas pensaram que eu sabia falar russo! Depois que descobriram que eu não sabia, disseram que eu falo russo sem sotaque!

Ao contrário do alemão, que eu falo e o pessoal não entende… por exemplo, bicicleta = fahrad. Parece uma palavra fácil, né? Mas tente usa-la. Os alemães simplesmente não entendem! Vc precisa repetir umas tres vezes… até eles sacarem. Ai eles falam, “Ah, Fahrad?” de um jeito que se parece exatamente com o que você havia dito da primeira vez… e isso com várias outras palavras…

Mas enfim, uma a menos da minha lista de cidades a visitar.

17/09/2008 Publicado por leumattiello | Deutschland | | Sem comentários ainda

29.08.2008 – Arroz e feijao!!! Reis mit Bohne!!! In Hamburg

Sim, alem de picanha, maminha, farofa, e tudo o mais de uma churrascaria… Em Hamburg! Eu estava sentindo muita falta de feijao. O camarada brasileiro aqui estava loco pra comer camarao com farofa (!) (ele eh de Vitoria… pra ele eh normal isso). O feijao era feijao preto, nao era exatamente o que eu queria (eu queria o normal, carioquinha), mas mesmo assim muito melhor do que a ausencia completa de feijoes. Tinha mais uns brasileiros com vontade de comer picanha tambem… entao resolvemos ir pra uma churrascaria brasileira em Hamburg.

Apesar de ter sido esfaqueado ser mais cara e pior que as churrascarias brasileiras (na verdade, apenas o tema eh brasileiro, so tem portugueses la), na hora que serviram arroz e feijao e farofa eu quase fui ao delirio! Eu senti as vitaminas do feijao fluindo nas minhas veias novamente. Que felicidade que eh comer arroz e feijao! :) Hmmm! E tambem as carninhas… cervejinha (alema, claro), linguicinha normal brasileira (nao essas wursts estranhas q eles tem), etc. O camarao eu deixei pro meu amigo… ele ficou extremamente animado por comer camarao com farofa. “Po, ce num vai comer camarao com farofa nao?”

Mas eles nao tinham filet mignon. Em Jaguariuna eu comia filet mignon a um preco razoavel, de vez em qdo, no Ristorantino. Aqui acho q vai ser impossivel… ou filet a parmegiana… ou a margherita… bom, aqui, se houver, deve ser carissimo! Desses eu ainda estou com vontade. E vou continuar por um bom tempo.

E o que tem de mais nisso? Pra vcs q estao ai no Brasil nada… mas e pra mim, q to aqui sem arroz e feijao?? Vcs acham q eh bom ficar sem arroz e feijao? Tudo bem q eu como Kasebrot com “presunto de salmao” e queijo derretido no cafe da manha, (ou salame, ou peito de peru defumado), doner, chocolate, iogurte, pudim, sorvete e cerveja da melhor qualidade… mas poderia ser melhor se tivesse um feijaozinho no almoco, nao?

E tambem conheci um pouco de Hamburg. A Rathaus de la eh do mesmo nivel da de Munique. Na volta a gente perdeu o ultimo trem… entao, fomos forcados a dar uma volta pela St. Pauli por algumas horas. Pelo menos ja posso dizer que estive la. Ainda nao tinha a camera na ocasiao… mas agora eu tenho. A proxima viagem tera fotos. Tenho duas em vista (subsidiadas pela IAESTE… ao contrario da IAESTE Brasil, aqui o pessoal da um dinheirinho pros estagiarios viajarem!) pra esse mes -> ilha Spiekeroog (mar do norte) e Berlin.

03/09/2008 Publicado por leumattiello | Deutschland | | 6 Comentários