08.02.2010 – São Paulo e as chuvas…
* Meu primeiro post “labelzado” como Coisas da internet. O tipo de besteira coisa que você vê em blogs ou chega em e-mails. Isso significa que o conteudo é um arrombamento explícito de propriedade intelectual copiado descaradamente da internet, pouco se lixando de onde sem que haja um trabalho de menção bibliográfica, na verdade, posso dizer simplesmente que a fonte é a Internet sem que minhas referências estejam erradas, se não muito precisas. Daqui para frente, quando virem esse label, poucos e fiéis leitores, lembrem-se disso. Quando algum agente da CIA ABIN bater em suas portas, lembrem-se disso.
O que se anda dizendo por ai sobre as intermináveis chuvas que assolam são paulo há quase 2 meses! Pode até ser brincadeira com coisa séria, tem gente morrendo e tal, mas… fazer o quê? Chorar não vai resolver nada, rir vai dar uma amenizada, então melhor rir para não chorar!
1. Se a São Silvestre fosse em janeiro, o César Cielo ia humilhar!
2. Depois do Airbag, os coletes salva-vidas são os opcionais mais importantes nos carros de São Paulo.
3. O melhor serviço de entrega em SP é do Submarino.

4. Se Noé fosse paulistano, teria construido um transatlântico em vez de uma simples arca.

5. Ninguém passa fome em São Paulo, bolinho de chuva é o que não falta.
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6. Quem acha que a água do mundo está acabando (heheh bobinhos) não mora em SP.
7. Bob Esponja pra Lula Molusco: “Bora pra São Paulo!! Da até pra gente ir no Shopping!!
8. Moisés, precisamos de você em Sampa!!

9. O passeio ciclístico de hoje foi feito de pedalinho.
10. Agora SP inteira tem casa com vista para o mar.
11. Tá chovendo tanto em Sampa que esperei o Pica-Pau para descer a Rebouças de barril!
12. Fagner para José Serra: “Quem dera ser um peixe para em teu límpido aquário mergulhar..

13. Chove tanto em São Paulo que o Lula está lançando o Balsa-familia.
14. O Kassab tá trocando o Bilhete Único pelo Bilhete Úmido!!!
15. No dilúvio, choveu apenas 40 dias. Em São Paulo, já passa dos 50!
12.01.2010 – Um pouco de política
Meu blog é pobre em política, e isso é intencional. Eu nem planejava falar sobre isso, estava pensando em contar minhas aventuras na terra da garoa no último domingo, mas decidi deixar isso para a próxima. Eu realmente não me sinto bem falando de política. Você perde amigos, algumas pessoas que pensam diferente ficam com raiva de você. Mas é que essa história de Programa Nacional de Direitos Humanos está realmente me incomodando! Assim sendo, só peço que, por favor, não me odeiem, caso pensem diferente de mim!
O governo Lula tem sido um bom governo no plano econômico, isso mesmo a oposição tem dificuldades em contestar. Não importa se essa política, basicamente, é a mesma do predecessor, o fato é que com o predecessor foi uma calamidade, e com o Lula tem dado muito sucesso. Paralelamente, o governo seguia fazendo várias cagadas sociais, desde os escândalos com a corrupção e outras políticas absurdas, pelo menos ao meu ver; tudo bem que eu nunca fui fã da esquerda, mas enfim, esquerda é esquerda.
Essa última do Governo, porém, foi abismal. Conseguiu ganhar a antipatia de, ao mesmo tempo, exército, igreja, imprensa e proprietários de terra. Diminuiu as chances de eleição da Dilma. Até eu, que não sou de nenhum desses grupos, não vejo com bons olhos; eu seria um integrante de uma classe média emergente, mas tenho uma mentalidade um tanto quanto tradicionalista de direita – e assim, não gostei de NENHUMA das propostas. Essa última do governo, a que me refiro, é o PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS, e para mim foi a gota d’agua: eu, que até agora defendia o governo, agora não mais o faço.
Confesso também que li sobre isso e, observei também que a terminologia usada pelo governo é assustadora – coisas horríveis adquirem nomes bonzinhos, nobres, inofensivos; por exemplo, uma agressão descarada à liberdade de expressão passa a ser chamada de defesa dos direitos humanos; tentativa de melhorar a distribuição de renda, a custo da já superonerada classe média, passa a ser chamada de ações afirmativas; e por ai vai. Basta prestar atenção à terminologia utilizada pelo governo, e comparar àquilo que ela representa na realidade.
Em vez de fazer reformas necessárias como a tributária, política, combate à corrupção e muitas outras que há anos se vê a necessidade, o governo emprega esforço político em coisas inócuas e, na verdade, contra-produtivas como essas. Abaixo, mostro como o PNDH insulta DIRETAMENTE alguns diferentes setores da sociedade (porque, indiretamente, insulta a todos).
MILITARES: Através do estabelecimento da Comissão Nacional da Verdade, que invalida a lei da anistia. Obviamente muitos militares de alto escalão serão investigados, alguns até acusados; eu, sinceramente acredito que os esforços de investigação deveriam ser focados no combate à corrupção, mas esse cenário está longe de ocorrer. Na verdade, os esforços do governo estão todos no sentido de desviar as atenções da roubalheira generalizada, e esse é mais um bom exemplo.
RELIGIOSOS: Descriminalização do aborto e reconhecimento da união civil entre pessoas de mesmo sexo. Desnecessário dizer que isso já é o suficiente para enfurecer o clero; e se eu mencionasse que símbolos religiosos passariam a ser proibidos em locais públicos, como aquelas famosas cruzes penduradas em hospitais ou escolas? Bom, eu pessoalmente não gosto de proibições. Se querem pendurar um símbolo religioso em um hospital ou em uma escola, qual o problema? Até tem um ponto que eu concordo: a descriminalização do aborto, com algumas limitações. Não tenho nada contra a homossexualidade mas discordo do reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo, e mais ainda da possibilidade de adoção, porque acho que as pessoas têm o direito de ter a garantia de ser adotadas por pais e mães de sexo oposto, já que ter dois pais seria o mesmo que ter apenas um e ser órfão de mãe, a mesma lógica se aplicaria a duas mães, ainda que tenham, não importa se por opção ou porque são assim mesmo, preferências iguais, biologicamente ainda são duas pessoas de mesmo sexo. Mas isso é apenas minha opinião pessoal. E, quanto à união civil, sou contra por puro tradicionalismo: casamento é algo já estabelecido à milênios, acho lamentável que sua simbologia seja violada. Mas, quem quer ter parceiros de mesmo sexo, assumir, eu não vejo realmente nenhum problema, o único problema para mim é querer utilizar de uma tradição milenar que não foi inventada para esse propósito. Mas, tem horas que eu penso e eu mesmo sou contra isso tudo e acho que deveria liberar geral e deixar todo mundo fazer o que quiser, se quiser liberar casamento homossexual, adoção, aborto, que seja… bom, não tenho opiniões muito rígidas sobre as coisas, tudo tem dois lados, vantagens e desvantagens, algumas vezes eu fico em cima do muro mesmo. Mas a proibição dos símbolos, esse sim eu sou absolutamente contra.
PROPRIETÁRIOS DE TERRA: Pedir a reintegração de posse agora passa a ser mais complicado; resistir passa a ser visto como agressão aos direitos humanos. Gostava mais do tempo em que, se alguém invadisse sua propriedade, você podia matar sem ser imputado de qualquer crime. A onda agora é outra, se alguém invadir você tem que deixar lá, deixar a pessoa na sua terra… Ora, eu acho absurdo até terra improdutiva ser passível de redistribuição, afinal se a terra é daquela pessoa, é dela oras, ela faz o que quiser e o que não quiser; se o governo não quer especulação, que encontre outra forma de dar incentivos à produção, como fizeram muito eficientemente e já há séculos nossos amigos anglo-saxônico-americanos.
IMPRENSA: Essa é a tendência que mais me preocupa. Para falar com todas as letras, para mim, pessoalmente, enquanto o governo não botar as mãos na internet, eu estou pouco me fudendo. Mas eu não aceitaria, por mínima que fosse, qualquer censura ou intervenção na internet! Para mim, qualquer coisa diferente de liberdade TOTAL na internet seria inaceitável. Quanto ao rádio e à televisão, já estão querendo, sob o manto da proteção dos direitos humanos, colocar certas restrições; eu, pessoalmente, realmente não me importo porque eu nem ligo muito para esses meios de comunicação, mas me preocupa muito que essa tendência possa ser aplicada à internet. Independentemente de eu usar ou não, muita gente usa, e não seria nada construtivo restringir a liberdade de expressão de qualquer forma, mesmo que sutilmente.
Pois bem senhores, essa é uma exposição inteiramente parcial. Estou mostrando meu ponto de vista, estou colocando alguns fatos mas também, em muitos momentos coloco opiniões pessoais que, se você discordar, o problema é seu. Se quiserem saber um ponto de vista diferente, perguntem ao Lula.
07.01.10 – Sao Paulo
Primeiramente, desculpem pela falta de acentos. O PC aqui ainda nao esta configurado. Comeco de trampo, mta coisa pra ir arrumando ate tudo ficar devidamente ajeitado.
Escrevo como um caipira, habituado a viver em cidades pequenas ou, no maximo, medias. Por esse motivo, todas as coisas que eu descrevo, o faco como alguem que esta fascinado por observar algo novo, seja bom ou ruim. Ha 4 DIAS sou morador da maior cidade do hemisferio sul. Ja aprendi, a duras penas, algumas coisas. Voce perde cerca de 10h por semana, apenas no caminho casa-trabalho. Isso quando nao chove – coisa que infelizmente acontece muito por aqui.
O metro eh o que torna a cidade viavel. Nos horarios de pico, trata-se de um galinheiro. Apesar disso, eh o melhor meio de transporte nessa cidade. Os transportes publicos sao bons, nao ha do que reclamar. A combinacao caminhada-metro possibilita ir a qualquer lugar facilmente, se nao rapidamente. Busao tambem eh facil mas lento, pois passa pelo transito. Carro, igualmente lento. Por isso, eu prefiro a primeira opcao, caminhada e metro, ja que tudo eh lento, pelo menos eu faco um exercicio fisico. Vale salientar que na internet se encontra facilmente as varias opcoes que se dispoe para ir de um lugar qualquer a outro.
Algumas coisas sao absurdamente caras. Resumindo, se nao for para ganhar mto bem, nao vale a pena vir morar nessa cidade pela questao da habitacao. Os lugares bons sao mto caros. Se quiser economizar, prepare-se para morar em um lugar nao tao confortavel, com caracteristicas como dificil acesso ou criminalidade. Outras coisas sao mto variaveis. Como restaurantes, padarias e supermercados, eletronicos, roupas… Ha muita variedade, desde ruim e caro ate bom e barato, passando pelo ruim e barato e bom e caro. Eh necessario um pouco de paciencia e esperteza para encontrar as condicoes mais desejadas.
A melhor coisa da cidade eh a disponibilidade das coisas. Aqui se consegue quase tudo o que se quer, em quase todos os horarios. Ou, pelo menos, o que voce nao encontra aqui, nem precisa se preocupar em procurar em outro lugar. Coisas populares ou sofisticadas, laser, oportunidades… enfim, tudo.
Tem lugares maravilhosos, e lugares horriveis. Infelizmente, os pontos turisticos estao quase todos em mas condicoes, e nem se pode pensar em conserva-los. Toda o que eh publico se consertar, havera um exercito de vandalos, pichadores, vagabundos, etc pronto para reestabelecer a ma condicao.
Sobre violencia, ja vim para ca muitas vezes antes de me mudar. Andei mto em mtos lugares, nas entrevistas e dinamicas e outros passeios da vida pela capital. Ate hoje, nunca fui vitima ou presenciei qualquer tipo de violencia. Sendo esperto e tomando as devidas precaucoes, pode-se reduzir a chance de isso acontecer. Como a chance nao pode ser eliminada, tanto aqui qto em qquer lugar do mundo, pode-se preparar para, caso ocorra um assalto, por exemplo, a perda seja o minimo possivel. Enfim, muitas pessoas tem panico de Sao Paulo, o que eh nao apenas desnecessario mas prejudicial aa pessoa.
Essas sao as primeiras impressoes da cidade, conforme for ganhando experiencia as vou dividindo com os escassos mas fieis leitores.
08.12.09 – Recomeço do blog
Prezados perdedores de tempo na internet leitores do meu blog:
Depois de 5 meses e 10 dias de inatividade no blog, decidi reativa-lo. Esse post é apenas para alerta-los de que, em breve, haverá novos posts. Porém, agora os assuntos do blog serão agora mais diversificados, uma vez que eu já voltei da Alemanha, faz um bom tempo!
Essa é minha última (ou penúltima, dependendo das subs…) semana de aula, que está sendo muito estressante. Muitos trabalhos, provas, seminários, e tudo o mais que um bom fim de semestre tem a oferecer. Esse porém, não é apenas um fim de semestre, mas também um fim de curso, pois passando em todas as matérias, estarei devidamente formado, em engenharia de computação, pela universidade federal de São Carlos! Bom, pelo menos assim espero… Assim, tão logo eu tenha um pouco de tranquilidade, colocar-me-ei (adoro minhas mesóclises!) a escrever sobre diversos assuntos, com uma frequência razoável.
Em Janeiro estreio minha vida de paulistano, em meu novo emprego na maior cidade do continente. Aos visitantes que cairem nessa página e, bondosos que são, puderem me dar dicas de onde ficar em São Paulo, preferivelmente próximo de algum trem CPTM da linha Osasco-Grajaú, eu agradeceria muito se deixasse um comentário e, se possível, contato! De qualquer forma, qualquer informação seria bem vinda, desde um lugar na favela até um apartamento no morumbi!
Vemo-nos!
27.06.09 – Kiel und Laboe – Entrando num mar europeu pela primeira vez!
Depois de um período de poucas viagens (apesar de não pouca atividade), anuncio com esse post, que esse finalzinho de Europa terá mais viagens. Comecemos, então, contando como foi o meu antepenúltimo fim de semana no velho mundo!

Essa é Kiel
Antes que pensem alguma coisa sobre minha primeira entrada no mar, digo-lhes: as águas do atlântico já me eram familiares. Porém, aqui na Alemanha, estive ano passado em duas praias: Spiekeroog, no mar do Norte, e Timmendorfer Strand, no mar Báltico. Ambos já muito familares devido a seus papéis estratégicos como zonas marítimas do jogo de Diplomacia. Em nenhuma dessas ocasiões, porém, eu havia entrado nesses mares. Pois bem, dessa vez, tive a chance de conhecer o atlântico pelo seu lado europeu!

Eu, indo para o mar. Na primeira entrada, eu não queria molhar a bermuda; mas depois, eu desencanei e fui sem camisa, a água estava gelada e estava um ventinho frio mas eu entrei na água de verdade.
Essa viagem foi, basicamente, uma série de improvisos. Tanto que, da programação inicial, quase nada do que era suposto foi feito. Eu, particularmente, adorei isso, por que ter de improvisar exige que eu abra mão dos truques que eu tenho na manga, e isso é sempre bom para a minha auto-estima. Ainda mais quando todos os demais são novos no país, não conhecem bem os esquemas.
Teoricamente, iríamos com o resto do pessoal da IAESTE. Deveríamos nos encontrar na estação aqui de Lüneburg mesmo. Porém, essa manhã descubro que os caras que cuidam dos trainees já tinham ido, deixando para o indiano a instrução de irmos para Hamburgo, a fim de nos encontrarmos com eles e outros que viriam de IAESTES de outras cidades lá. Foi ai que comecei a alimentar minha auto-estima, demonstrando com todo o requinte o poder do Schones Wochenende Ticket! (Os outros trainees são extremamente novos, acabaram de chegar esse mês).
Acontece que o trem que deveríamos pegar para Hamburgo teve um problema e teríamos que pegar outro, alternativo, q estaria saindo de outra plataforma (que, na verdade, é outra estação). Ter ouvido isso pelo fone, em alemão, e entendido, foi pra mim um ótimo remédio contra a minha baixa auto-estima: para quem se lembra, escrevi um post dizendo o quanto estava decepcionado com meu aprendizado do alemão e, desse mal amigos, afirmo-lhes que já não sofro mais! Fora a moral de saber onde é a tal outra estação, de uso exclusivo da Metronom. Pois bem, pegamos esse outro trem, cujo roteiro é um pouco diferente do normal: ele demora muito mais, pois para em diversas cidades pelo caminho, e deveríamos fazer baldeação em Harburgo.
Lá chegando para fazer a baldeação, percebi que tinha metrô ali mesmo na estação, e ia pra Hamburgo, e chegaria antes do trem que sairia oficialmente. Bom, senhores, ai cometi uma cagada – não sou perfeito, afinal. Fui iludido pelo nome: quem, no metrô em Harburgo pela primeira vez, iria imaginar que “Hamburg Rathaus” (“Prefeitura de Hamburgo”) vai no sentido contrário a Hamburgo, e não ao centro da cidade? Bem, percebido o engano e corrigido imediatamente na estação seguinte, pegamos o metrô s31 agora no sentido contrário e dessa vez descemos na Hauptbahnhof de Hamburgo, estação onde deveríamos nos encontrar com o resto do pessoal, com um certo atraso, apenas para constatar que já haviam partido.
Quem está na água é pra se molhar, então decidimos abandonar completamente o roteiro da IAESTE e fazer a nossa própria viagem. Pegamos o próximo trem para Kiel, já cientes de que não iríamos encontrar o pessoal lá. Chegando lá, fizemos o tradicional – pedi um mapa da cidade para o sujeito, lá na estação mesmo, e fomos seguindo os pontos turísticos. A cidade estava em festa – uma tal de Semana de Kiel! A cidade estava cheia, muita gente de todos os lugares, muitos turistas, festas, músicas, barraquinhas de vários países, etc. Apesar de ter bastante coisa na cidade de Kiel, decidimos ir ver a praia primeiro. Pegamos o ônibus, sem pagar, devido ao poder do Schones Wochenende Ticket, e chegamos a Laboe – uma cidadezinha a 20km de Kiel, com uma bela praia, e com o memorial dos submarinos de guerra alemães, que eu queria ver.

Réplica, em tamanho real, de um “Unterseeboot” da “Deutsche Kriegsmarine”
Vimos o tal memorial (não entramos, obviamente, por que somente coisas do naipe de Coliseu e Louvre me fariam pagar para entrar), mas vimos por fora, muito interessante, e também essa bela réplica em tamanho real de um desses submarinos, peças do tabuleiro naval em que Karl Donitz jogava com a marinha real britânica e seus aliados. Além de muitos barcos, vimos muita praia, muita gente, e foi nessa que eu entrei no Báltico pela primeira vez.
Vale contrastar os pontos negativos e positivos dessa praia, do ponto de vista de um brasileiro que, teoricamente deveria ser um expert em praias mas na verdade conheceu mais praias alemãs do que brasileiras, ganhando aquelas de 3 x 2 dessas. Nas praias alemãs, em sua grande maioria, não existe sujeira nem poluição no mar. Reflexo de um povo civilizado, e de empresas e governo comprometidos com o meio ambiente; que há muito mais seriedade por parte dos alemães do que dos brasileiros sobre esses temas, creio que todos concordarão que é verdade e não ter encontrado nenhuma lata de cerveja jogada, nem um papel, em uma praia lotada, e sem poluição, creio que basta para comprovar minha tese.
Mas havia o frio, apesar do verão. Nas praias alemãs, dá aquele ventinho gelado que, num dia de tempo ótimo, muito sol e 19ºC (!) torna um pouco inconfortável, apesar de longe de insuportável, ficar sem camisa. A água também é fria e dá um certo choque, exige que você se acostume um pouco antes de conseguir mergulhar o corpo inteiro. E o terceiro detalhe é a cerveja, quente. Além disso, a maioria das pessoas estava com muitas roupas na praia: calças jeans, jaquetas leves, etc. O quinto detalhe não é culpa da praia, mas da Alemanha em si e seus rigores metereológicos: percebi que estou muito, mas muito branco mesmo! Pálido! To parecendo um fantasma!

Não, a praia não é ruim, apesar dos pontos negativos, eu gostei dela!
Bom, vivenciados esses contrastes, voltamos para Kiel, para ver a cidade em si e alguma coisa do festival. Beneficiados pelo sol, que perciste até a noite. Kiel não é uma cidade com tantas atrações assim. Vimos a Rathaus e a igrejinha central, ambos bem humildes comparados com os das cidades maiores. Comemos alguma coisa, vimos um show-room da BMW, e resolvi comprar esse carro ai! Voltei embora com ele pra Luneburgo! O que acharam? Custou €71000! Bom, diante da impossibilidade de enganar alguém com essa história, digo que comprei uma moto BMW em vez de um carro, era mais barata. OK pessoal, eu confesso. Voltei de trem, fazendo uso do mesmo poderoso e duradouro ticket que havia comprado pela manhã. É, nisso temos que aplaudi-los, aos alemães. Eles sabem fazer carros muito bem!

Minha suposta nova aquisição…

Minha segunda tentativa de enganar vocês
E esse, senhores, é só o começo do fim…
08.06.09 – Considerações Finais II – As Quatro Estações
Hoje voltei pra casa filosófico. Pensativo. Após lidar com um interessantíssimo (sem ironia) problema de criptografia no trabalho, que persistiu na minha cabeça por algum tempo. Mas enfim, lembrei-me da necessidade de escrever um interlúdio entre minha última viagem e a próxima. Pois bem, que se encaixe aqui então mais uma de minhas considerações finais!
Sobre um dos aspectos interessantes que eu vivenciei aqui – a acentuada discrepância entre as estações. Que existe não apenas no clima, mas nos costumes – que de certa forma, precisam se adaptar ao clima. Tal discrepância existe no Brasil também, como as festas juninas repletas de bebidas quentes e doces no inverno, ou a migração para a praia na época de carnaval no verão de fevereiro, ou a época das pipas na primavera… enfim… Como são as coisas aqui na Alemanha? Aproveitando que estamos próximos de mais uma mudança de estação…
Bom, vale salientar que aqui as estações são invertidas: Enquanto é inverno, eles estão ao contrário (nós estamos certos, eles estão invertidos hehehe bem, geograficamente falando ambos estão corretos). Enfim, enquanto é verão ai no Brasil, aqui é inverno; E, enquanto é inverno, aqui é verão; enquanto é primavera, aqui é outono; e, enquanto é outono, aqui é primavera. Isso tem impactos nos costumes.
Cheguei aqui no verão de 2008 – e vou embora no verão de 2009. Assim era a vista da minha janela, à época da minha chegada:
Assim foi no inverno:
Assim foi no começo da primavera:
Bem senhores, como vós podereis observar, eu negligenciei um pouco o outono nas minhas fotos, mas ele também tem suas características. Trata-se de uma estação de quedas graduais: da temperatura, do verde das folhas em direção ao amarelo, por fim as próprias folhas das árvores, da quantidade de horas de sol no dia, etc. Quando as árvores ainda não perderam as folhas e essas ficam amarelas, o ambiente fica com uma coloração bem diferente e interessante; e o frio ainda é suportável com poucas roupas. Também as pessoas começam a ficar desanimadas e a parar de fazer churrascos, festas, etc, à mesma proporção que vai caindo a temperatura. No fim das contas, o outono é a pior estação na minha opinião. É a estação em que tudo está piorando. Em que a derivada é negativa o tempo todo. Não há muitas atividades interessantes típicas de outono, exceto preparar-se para o inverno e despedir-se do verão. Foi no final do outono, porém, que vivenciei uma das coisas mais interessantes: a primeira neve!
Também a árvore da empresa é interessante de se observar: nas versões verão, inverno e primavera. Acreditem, é a mesma árvore!
Quando o tempo é bom, o povo costuma ir almoçar naquela mesa de madeira, embaixo da árvore. Como nessa foto do verão de 2008.
Mas quando está assim, nem pensar em ir almoçar lá! Aliás, nem pensar em sair do prédio aquecido sem antes se encapotar de roupas!
Não está tão claro na foto, mas a árvore está cheia de flores, que ela não tem no verão, pois as flores caem e ficam só as folhas. É que as flores dessa árvore não são tão exuberantes, por isso não se as nota tão claramente.
No outono, essa mesma árvore fica amarela. Amarela mesmo! Pena que eu não tenho foto.
Também meu quarto e a casa sofreram alterações no decorrer dessas estações.
Verão 2008:
Meu quarto não tinha nada: nem notebook, nem bandeiras, nem nada; eu só tinha as coisas q eu trouxera do Brasil, e o mapa de Luneburgo que, naquela época, era útil.
A casa nessa época era muito mais legal: pintura style, os caras com as portas dos quartos cheias de coisas, mais bagunça e falta de organização (o que pra mim, é um fator positivo), e tinha o simpático pinguim da cozinha antes da menina louca jogar ele fora!
Outono 2008:
hmmm… esqueci a foto do quarto no outono… Mais tarde eu adiciono. Bom, em todo caso, foi durante o outono que eu comecei a adicionar coisas legais ao meu quarto: a bandeira da Itália, que ficava horizontal e no centro, o relógio, o calendário, mais bagunça, etc.
Inverno 2009:
No final do inverno o quarto tomou a forma que tem hoje. Essa forma que se vê ai. Bagunçado, sim, admito. Mas existe ordem na minha bagunça.
Primavera 2009:
Algum tempo depois q a louca trocou a pintura style por um branco sem graça, houve um movimento pela volta da “legalidade” (não no sentido de lei ou ordem, mas de legal, da hora, interessante, cool, style). Puseram até uma bandeira do Brasil grande, parecida com a minha, mas que não é a minha e cuja origem ignoro.
Também tem a cidade nas diferentes estações.
O verão é feliz na Alemanha! Essa foto não mostra bem a felicidade do verão, mas mostra o verde e as várias atividades que o povo costuma fazer no campo, por exemplo. Há muito verde. E, só nessa época, é possível presenciar o sol se por às 11h da noite, acordar com a claridade do quarto às 4h da manhã, e é claro, ficar extremamente animado, pois seu corpo, que acredita que o dia é dividido meio a meio entre a noite e o dia, pensa que já descansou demais, uma vez que foi dormir pouco depois do por do sol e acordou com o sol já há muito nascido! Faz um bom calor, bom para fazer todo tipo de atividades ao ar livre, parques, churrascos, festas, e tudo o mais. Enquanto o pessoal tá se esquentando no Brasil, tomando um vinho quente, se agasalhando, indo na Eapic e morrendo de frio na madrugada, aqui tá todo mundo indo pra praia, ou descendo o rio de bóia, indo pros ranchos, enfim, tendo uma vida boa.
O outono, eu já expliquei e botei foto (que seria mais típica de inverno, foi o final do outono, mas era outono ainda) no começo do artigo, então não vou explicar de novo, né mané?? Se liga!
Inverno. Ocorre o contrário do verão, mas não é chato igual o outono porquê tem suas peculiaridades. Tirei essa foto porquê se pode ver o predomínio da noite, e a barraquinha de Glühwein (vinho quente) que é bem típico dessa época. Acreditem ou não, o fato é que 4h da tarde está exatamente desse jeito. A foto que mostra o branco, veja a do outono: assim são os curtos dias de inverno. Aqui, temos o natal e o carnaval nessa época. Com o tal do Glühwein que, não tendo festa junina para se associar, associa-se ao natal, e também o carnaval cheio de roupas, que não deixa de ser bacana, a neve que é interessantíssima, os rios que congelam a superfície, a ausência completa de folhas nas árvores, fazendo do Branco a cor predominante. As sensações de animação do verão, no inverno são substituidas pelo cansaço: o fato de já ser noite, às 3h30 da tarde, faz com que seu corpo seja enganado da maneira oposta. Você ainda tem outras 3h30 de trabalho após o por do sol, então você chega em casa às 7 e pouco pensando que é extremamente tarde, que a hora de dormir já passou há muito, e vc não acorda de madrugada por causa da claridade do quarto, uma vez q o sol só vai nascer lá pelas 7 e tantas, quase 8 da manhã, que é justamente a hora de levantar. Com o povo cansado e desanimado, há poucas festas, não há nada ao ar livre, andar de bicicleta é um suplício – todos querem ficar encorujados, aquecidos e descançados.
Primavera. É uma estação legal! De repente, as árvores que estavam carecas ficam cheias de flores, e fica tudo colorido, sem uma cor predominante, ao contrário de todas as outras estações. Vai esquentando devagar, com algumas recaidas pelo caminho, e no final as árvores vão perdendo as flores e ficando cheias de folhas. O pessoal vai animando devagar, ao mesmo ritmo do tempo; vão começando de novo as festas, viagens à praia, enfim, é o começo tímido da boa vida do verão.
E que venha o verão! O qual aguardo ansiosamente, já está próximo mas essa semana não passaremos dos 20ºC… Deveria já estar calor, mas não está.
25.05.09 – Musik
Eu hoje me considero uma pessoa razoavelmente eclética. Mas nem sempre foi assim. As idéias e gostos se modificam no decorrer da vida. Conforme você vai conhecendo pessoas novas, vai recebendo novas influências.
Assim foi que, a primeira banda que ouvi e gostei foi o Guns ‘n Roses. Ainda não tinha nem 10 anos de idade, quando meus irmãos ouviam Knocking on Heavens’ Door, Don’t Cry, Sweet Child o’ Mine, etc. E essas são músicas que estiveram sempre presentes desde então, e ainda hoje aprecio ouvi-las.
Também por influência familiar, comecei a apreciar o punk rock com Ramones. E por influência dos vizinhos, o grunge de Nirvana. Também eram muito famosos Red Hot Chili Peppers, Green Day, e outras bandas. Gostava desse tipo de música, e desprezava veementemente pagode e música sertaneja. Algumas influências familiares e de vizinhos, às vezes, causam o efeito contrário. Tanto que jamais consegui gostar de funk, nem do pagode, nem da música sertaneja. Pelo contrário, aprofundei meu desgosto por essas músicas.
Mas ou menos nessa época da minha adolescência, estava estourando Mamonas Assassinas, a primeira banda brasileira que me despertou interesse. A eles, seguiram-se Raimundos e, em menor grau, Skank, bandas que eu assisti ao vivo na Eapic. Havia também me acostumado a Legião Urbana e Raul Seixas mas não os apreciava. É que meus irmãos ouviam muito essas músicas, e eu aprendi as letras e o estilo de uma considerável parte da discografia destes. A influência surtiu efeito tardio mas forte, e hoje são músicas que aprecio.
Com os amigos enxadristas, ampliei consideravelmente meu horizonte musical. Conheci o Heavy Metal de Iron Maiden, e esse estilo é um dos meus favoritos até hoje. A essa, somaram-se Helloween, Angra, e outras bandas. Durante a universidade, essa tendência se manteve e adicionei à minha lista de intolerância o emo. Eu não era eclético. Com exceção das músicas que eu gostava e da música clássica, eu era inflexível com tudo o mais. Com as músicas eletrônicas principalmente, que era forçado a ouvir. Também não gostava de músicas românticas.
Quando comecei a estudar alemão, conheci Rammstein, uma de minhas bandas favoritas atualmente. Eles iniciaram a tendência de buscar músicas em alemão, pois estava tentando aprender o idioma. Aqui na Alemanha encontrei bastante disso, e em todos os estilos. Pelo simples fato da música ser em alemão, eu me interessava pela música, procurando entender a letra, não importando o estilo da música. E assim comecei a ser mais tolerante com todo tipo de música. Die Toten Hosen e Die Ärtze eu conheci aqui na Alemanha, e são bandas que provavelmente vão estar em minhas playlists por um bom tempo. E até abri algumas exceções para a música eletrônica.
Também passei a ser mais tolerante a certos estilos vulgares. Aquele tipo de música que, em determinado momento estoura, e passam-se alguns meses e ninguém lembra mais. Como o Rap das Armas, depois de assistir Tropa de Elite: Parapararrapapapappaprprpaprpaap pa pá… E o Reggaeton, que é vulgar mas é uma evolução natural a quem aprende Salsa. Mas ou menos como passar do Samba formal ao Pagodão vulgar. Mas não, ainda não gosto de samba, muito menos de pagode! Não creio que isso venha a acontecer tão cedo!
Foi na França que aprendi a apreciar música italiana contemporânea. Em Paris, conheci o italiano louco chamado Marco, que estava presente no pique-nique no parque de Montsouris, com seu violão. Ele cantava “Attenzione, concentrazione, ritmo e vitalità!”. Senti-me feliz porque as músicas em italiano eu sou capaz de memorizar trechos para googlear mais tarde e encontrar a música no youtube. Em alemão, esse processo é um pouco mais complicado. Mas, enfim, descobri que essa música chama-se Beppeanna, e a banda chama-se Banda Bardò, a qual já tem presença no meu HD.
Juntando-se essa coisa de música italiana com Legião Urbana, que a saudade do Brasil me levou a ouvir, você acaba chegando às músicas em italiano do Renato Russo. E, ouvindo essas, o youtube te induz, com sua coluna de vídeos relacionados, à Laura Pausini. A qual eu conhecia e não me interessava. Mas tanta é a sua fama que, apesar de eu não gostar até então, tinha a resposta na ponta da língua quando o italiano em Paris, que gostava bastante dela, me perguntou se ela tinha gravado músicas em português. Claro que sim, não sabia quais, pois eu não ouvia suas músicas, mas sabia que sim. Enfim, depois de ouvir algumas músicas dela no youtube, passei a aprecia-las bastante, tanto as em italiano quanto as em português.
E hoje estão muito em baixa todas as músicas cantadas em inglês. Evito ouvir músicas em inglês. Isso enfraqueceu meu gosto por heavy metal, mas injustamente. Porquê eu descobri que alemão é um idioma que se encaixaria perfeitamente ao heavy metal, e as bandas metal de todo o mundo deveriam adota-lo! Mas o inglês continua caindo bem com seu tradicional Rock ‘n Roll. Percebi que, a grosso modo, as línguas anglossaxônicas parecem ter sido feitas para as músicas pauleiras, enquanto as línguas latinas são boas para as músicas românticas. Claro, nada impede que se faça música paulera de qualidade com língua latina ou música romântica com língua anglossaxônica. Bons exemplos disso, para me contestar a mim mesmo, são a banda de metal argentina Rata Blanca, e a cantora romântica austríaca Cristina Stürmer.
Mas o fato é que, houve o tempo em que o inglês dominava com quase hegemonia minhas músicas. Hoje, o inglês ainda existe, ACDC é um bom exemplo, mas anda em descrédito. Quem manda agora é o português. Dou muito crédito a estrangeiros que cantam em português. Como a Shakira, antes de começar a cantar suas músicas em inglês e fazer eu perder o gosto. E alemão tem uma presença forte, e italiano está crescendo, é a minha nova moda. Eu tenho também música em espanhol, em russo, em japonês, em latim e em árabe.
17.05.09 – Show do AC/DC em Gelsenkirchen!!
Na sexta, dia 15, eu estava gripado. Tomei um chá quente e tratei de me encorujar debaixo das cobertas bem cedo! O conforto, aconchego e as longas horas de descanso físico e mental proporcionaram ao meu corpo a chance de quase eliminar a gripe e de despertar cedo no dia seguinte, muito bem disposto.
Assim, às nove da manhã encontramo-nos nós quatro na Am Sande, onde Konstantin aguardava com seu Mazda 3. Após alguns kilômetros de estradas regionais, entramos na Autobahn – as famosas estradas sem limite de velocidade da Alemanha! E essa foi a primeira coisa que eu matei a vontade de conhecer durante a viagem. A Autobahn.

Parados em uma das áreas de descanso da Autobahn. O Konstantin diz que seu carro é bem normal, e de fato é, aqui. Mas no Brasil um Mazda 3 2008 faria uma moral, e se faria!
Chegamos a Essen e dirigimo-nos ao hostel Bola. Que não é apenas um hostel, é uma Kulturhaus (Casa de cultura) também. Tinha um palquinho, biblioteca, computadores, pianos, etc. Mas nada disso foi usado, senão extraoficialmente o piano pelo colombiano, tentando, enferrujado, dar umas palhinhas em Pour Elisè. Um lugar barato, longe da cidade mas, como estávamos de carro, isso não era um problema. E o hostel era muito bom. Haviam dois gatos gêmeos, extremamente idênticos. Tanto que demorou um tempo para eu perceber que eram dois, e não um único gato: só percebi quando, espantado, vi os dois ao mesmo tempo. O pessoal do hostel era muito hospitaleiro, e não havia nenhum outro hóspede no hostel.

entrada do “Bola Hostel und Kulturhaus”
A segunda coisa que queria conhecer era a cidade de Essen. E nessa vontade me decepcionei desgraçadamente. A cidade não tem nada pra se ver. A única coisa boa que reconhecemos dessa cidade, foi a balada! Sim, o baile foi muito bom, no sábado a noite. Delta Disco, em Essen. Um lugar memorável. Se todos os bailes de lá forem assim, pelo menos no quesito balada a cidade está bem servida.

Pra não dizer que a cidade não tem nada, tirei foto dessa igreja.

Antes da balada, as crianças brincando de escrever no guestbook do hostel, cada um em seu idioma. Fiz questão de diferenciar bem o dialeto sanjoanense em relação ao português padrão.
Tendo conhecido a cidade e festejado no sábado, dormimos bastante no domingo. Por volta das duas da tarde, todos estavam a postos para deixar o hostel. Rumo a Gelsenkirchen, a terceira coisa que eu queria conhecer. No entanto, a cidade, conurbada com Essen, foi tão decepcionante quanto essa, e com a desvantagem de não termos ido à balada, assim nada de bom se pode afirmar acerca dessa cidade, exceto a toupeira vista no parque central, uma outra novidade, inesperada, que conheci nessa viagem. Já havia me habituado a conviver com diversas espécies de animais. Os esquilos, coelhos e patos são muito comuns por essas terras germânicas. Também com aqueles típicos das ruas brasileiras, os cães e os gatos. Também com os globais e cosmopolitas pombos. Até tucanos e maritacas que às vezes nos visitavam lá em São João. E as capivaras da federal. Mas, toupeira, eu nunca havia visto!

Pra não dizer que Gelsenkirchen não tem nada, tirei foto dessas árvores ai
E assim, chegamos à minha quinta novidade. O estádio “Veltins Arena”. Veltins é uma marca de cerveja alemã, que ajudou financeiramente na construção do estádio, recebendo em troca do Schalke 04, o clube dono do estádio, o direito de dar o nome ao estádio, que é um dos mais modernos do mundo e que foi uma das sedes da copa do mundo de 2006. E também o direito de ser a única cerveja vendida dentro do estádio. Infelizmente, ai na nossa querida terra brasilis os honrados cartolas não têm ousadia, coragem, vontade política, inteligência, capacidade para ter idéias como essa e dar à torcida mais fiel do mundo um estádio à altura de sua grandeza. Porquê as oportunidades não faltam: um grande jogador estourando na mídia, patrocínios multimilionários, uma copa do mundo se aproximando… O que falta é a criatividade, a inteligência, a vontade para implementar algo como um Veltins Arena para o Corinthians. Ou pelo menos uma concessão do Pacaembú, que não seria de todo mal, pelo menos poderíamos disputar os campeonatos do ano do centenário no próprio estádio, estádio tradicionalíssimo, palco de conquistas épicas, que já é nosso na prática, mas poderia ser também no papel. Mas tudo bem, é esperar demais dos cartolas brasileiros que tenham visão de longo prazo, como os do Schalke 04. Que hoje gozam dos recursos extras que o estádio próprio proporciona. Como uma porcentagem do valor do ingresso que eu e outras dezenas de milhares pagamos para assistir a esse show.
E a sexta e última novidade da viagem, foi o ACDC!!! As lendas australianas que produziram o segundo mais vendido álbum do universo. Os velhos aguentaram, deram um grandíssimo espetáculo! Tocaram músicas de épocas bem espalhadas ao longo dos 30 e poucos anos de existência da banda. Filmei as que eu mais gosto, tirei algumas fotos. Constatei que o Angus Young é um guitarrista melhor do que eu pensava, ao ver sua performance ao vivo. E também da ótima escolha que foi o Brian Johnson. O britânico parece ter nascido para cantar nessa banda! Ele se adapta perfeitamente ao estilo da banda. Apenas esses dois fazem o espetáculo; os outros ficam parados. O baixista e o guitarrista base ficam parados o tempo inteiro. O Angus e o Brian ficam se mexendo, correndo, fazendo palhaçadas. Principalmente o Angus. O baterista, me pergunto se se movimentaria caso não estivesse restrito pelo ofício, ou se ficaria parado, morto, igual os outros dois. O show também tem vários artifícios teatrais, como o trem para “Rock ‘n Roll Train”, o sino para “Hells Bells”, etc. Que foi o melhor show da minha vida, pode-se afirmar com muita certeza. Apesar de eu não ter ido a shows desse nível, para poder comparar.

As condições não eram as melhores para se tirar fotos. Isso foi o melhor que eu consegui.
14.05.09 – Considerações I: Aprender alemão na Alemanha
Estou num estado de contradição. Quero escrever e, ao mesmo tempo, não quero. Sei que os posts mais apreciados são os que eu conto sobre as viagens que faço. Os que apenas filosofo, que não contêm ação, não despertam muito o interesse. Mas, esses são os que eu mais aprecio escrever. E esse é mais um desses. Enquanto batalho para encontrar um tema, sinta-se a vontade para desistir da leitura, se quiser.
Pois bem. O fato é que está chegando perto da hora de voltar. Faltam dois meses e dois dias. Já dá pra eu ir começando a fazer as considerações finais… Uma coisa que eu aprendi aqui, é que a Alemanha é um péssimo lugar para se aprender alemão. Não venha para cá, se esse for seu objetivo: aprenda ai mesmo, só depois que já estiver quase fluente, venha para aperfeiçoar o idioma. Por outro lado, se seu objetivo for aprender inglês, pode ser uma boa. A maioria dos seus amigos serão estrangeiros (em relação à Alemanha né, dãããã) que não falam alemão, ou que falam mas, por que muita gente no grupo não fala, sempre acaba sendo o inglês a língua falada nesses eventos internacionais. Ou espanhol! Sim, aqui você vai ter mais oportunidades para aprender e praticar o idioma de Cervantes, do que o idioma de Goethe. Porque em qualquer lugar do mundo que você for, haverão sempre muitos falantes de espanhol, e eles sempre preferem, obviamente, falar espanhol. Português também é uma boa, brasileiro tb não é coisa rara de se encontrar e as vezes até se acha algum português ou angolano (não, timorense ou macauense não será assim tão fácil). Mas se você está lendo isso, provavelmente não precisa tomar nenhuma atitude pra melhora-lo.
O que eu quero dizer é que você não será obrigado a falar alemão em nenhum momento. Nem pelos amigos nas festas, nem pelos colegas no trabalho. Você optará por não ter televisão, e o imposto que eles cobram pela televisão será o menor dos motivos. Você tentará ouvir rádio, e perceberá que para cada 10 músicas em inglês eles tocam 3 em italiano, 2 em espanhol e uma em alemão. Você criará sua playlist no youtube com músicas em alemão, que não vai ajudar em absolutamente nada, e como você é eclético, logo você vai se cansar dela e vai procurar músicas em outros idiomas, e ai você vai encontrar músicas em italiano, vai conseguir entender mais ou menos a música e vai acabar aprendendo mais italiano do que alemão nessa jogada. Você tentará ouvir rádio de notícias, ficará craque em entender as notícias, mas vai perceber que não adianta nada porquê a linguagem usada nas notícias não vai te ajudar a entender a linguagem popular, que é a mais difícil. E nem a linguagem formal, porquê a linguagem jornalística é diferente de ambas. Você não vai sair por ai falando de política, de guerra no Afeganistão… você não vai chegar para uma pessoa e dizer, “Ei fulano, o Pontífice está realizando nesse momento uma visita de estado a Israel”, no máximo ouvir esse tipo de rádio vai enriquecer seu vocabulário com alguns termos chics para a gripe do porco…
Você pode sim, aprender alemão aqui, desde que não precise trabalhar. Se você vier para um curso de alemão, especificamente. Mas isso você pode fazer ai mesmo, não precisa vir pra cá. E se você acha que, vindo pra cá por outro motivo, o aprendizado do idioma virá naturalmente como um efeito colateral, volte dois parágrafos. Bom, quando você tentar iniciar uma conversa em alemão e o sujeito responder em inglês (esfregando na sua cara, com esse simples gesto, que seu alemão é tão horrível que você não deveria nem estar tentando), você saberá do que eu estou falando. E ai você anda com os hispânicos e entende boa parte do que eles estão falando sem nunca ter estudado espanhol e se questiona, onde eu estava com a cabeça quando resolvi aprender alemão?
Por algum tempo eu me senti mal com essa história. O fato é que você não se sente bem quando percebe que é incapaz de fazer alguma coisa. Porquê, apesar do tempo que eu passei aqui, ainda não consigo conversar em alemão. E, do jeito que é minha vida aqui, mesmo daqui 5 anos estaria a mesma coisa. Mas, saber que não é o único burro, serve como consolo. Todos os outros estagiários que vieram pra essa empresa, tinham algum conhecimento prévio de alemão. Nenhum deles saiu daqui falando o idioma. Diego, do Werder Bremen, já está aqui a 3 anos. Não fala. Poderia procurar e citar mais exemplos. Poderia até citar alguns exemplos de sucesso. Mas não vou citar os de sucesso, porque eu quero me sentir menos burro, oras! Sim, se eu tivesse um pouco mais de boa vontade pra estudar sozinho, fazer exercícios do livro (que eu nem toquei, desde que cheguei) e da internet depois do trabalho (isto é, na hora pior hora possível pois você já está cansado) talvez eu tivesse aprendido alguma coisa. Mas, metade da minha estadia aqui eu não tinha internet. E na outra metade, eu passei a ter internet em casa, e foi justamente esse o problema… E além disso, se eu estudasse, não teria tempo pra coisas úteis como jogar fut, pra ir pras festas, pra perder tempo na internet…
Pois essa é a minha consideração sobre aprender alemão na Alemanha. Nesse ponto, a experiência não foi boa. Farei outras considerações, algumas sobre experiências positivas, outras sobre experiências negativas.
17.04.2009 – Dublin
Última parte da viagem. Irlanda.
Foi o primeiro país europeu fora da área Schengen que eu visitei, por isso fiquei um pouco apreensivo quando passei pela imigração. Na fila, haviam alguns brasileiros que tiveram problemas com isso. E eu só observando, quieto e preocupado. Mas, felizmente, para mim, foi tranquilo.
Sai do aeroporto sob forte chuva e um considerável frio. Dublin não tem um clima amigável, digamos assim. Mas a cidade é bem legal.
A primeira coisa observada é que nas placas eles escrevem primeiro na língua local oficial, alguma variante céltica (não sei bem), mas que ninguém fala, pelo menos em Dublin. E, em baixo, inglês. Observe que a letra minúscula é a primeira, e o resto em maíscula!
Ai eu peguei um desses free tours, que oficialmente são de graça, mas no fim você eles pedem um dinheirinho, o quanto vc quiser dar, se quiser. Dei uma moeda de 1 euro, afinal gostei do tour. O rapaz disse muita coisa que eu não sabia, sobra a Irlanda e especificamente sobre Dublin, e as histórias associadas a cada edifício que visitávamos. Como por exemplo, o Castelo de Dublin. Esse ai em baixo. Muitos eventos importantes na história da Irlanda se passaram nesse castelo.
Há também em Dublin um legado viking. Essa parte da cidade foi construida pelos vikings.
O St. Stephan green, um belo parque. Que já serviu de trincheira.
E o Temple Bar, uma área da cidade cheia de bares, bem legal para se divertir. Os desse bar parecem gostar de bandeiras. Mas não gostam da América do Sul.
E aqui termina minha epopéia. Minhas andanças pela Europa. Não tenho mais férias. Por isso, não esperem mais aventuras fora das redondezas da pacata e acolhedora Lüneburg.
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